HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023
Paciente sexo masculino, 32 anos, procurou atendimento no pronto atendimento referindo que iniciou há cerca de uma semana com uma dor de cabeça importante, unilateral, intermitente e predominantemente à noite. Relata ainda que apresenta corrimento nasal e ocular associados. Sem comorbidades nem uso de medicações, informa que não apresentou melhora com dipirona. Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE a principal hipótese diagnóstica e conduta.
Cefaleia unilateral noturna intensa + sintomas autonômicos (lacrimejamento, rinorreia) → Cefaleia em Salvas, tratar com oxigenoterapia.
A descrição da cefaleia (unilateral, intensa, noturna, intermitente) associada a sintomas autonômicos ipsilaterais (corrimento nasal, ocular) é clássica da cefaleia em salvas. A oxigenoterapia de alto fluxo é o tratamento agudo de primeira linha para abortar as crises.
A cefaleia em salvas é uma das dores de cabeça primárias mais severas e incapacitantes, pertencente ao grupo das cefaleias trigeminais autonômicas (CTAs). Caracteriza-se por crises de dor unilateral, geralmente periorbitária, supraorbitária ou temporal, de intensidade excruciante, que ocorrem em "salvas" (períodos de crises diárias seguidos por remissão). A epidemiologia mostra uma predominância em homens, geralmente na terceira ou quarta década de vida. O reconhecimento precoce é fundamental para um manejo eficaz e para evitar a cronificação da dor. A fisiopatologia da cefaleia em salvas envolve a ativação do hipotálamo e do sistema trigeminal-autonômico. As crises são tipicamente acompanhadas por sintomas autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose, miose e edema palpebral. A dor é tão intensa que os pacientes frequentemente ficam agitados e inquietos durante as crises, em contraste com a migrânea, onde preferem o repouso. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3). O tratamento da cefaleia em salvas divide-se em abortivo (para as crises agudas) e profilático (para prevenir novas crises). Para as crises agudas, a oxigenoterapia de alto fluxo (100% O2, 10-15 L/min por máscara não reinalante por 15-20 minutos) é a primeira linha de tratamento, sendo eficaz em muitos pacientes. Triptanos subcutâneos ou intranasais também são opções. A profilaxia, geralmente com verapamil, é essencial para reduzir a frequência e intensidade das crises durante os períodos de salvas.
A cefaleia em salvas é caracterizada por dor unilateral, periorbitária, supraorbitária ou temporal, de intensidade severa, em pontada ou excruciante, com duração de 15 a 180 minutos. É acompanhada por sintomas autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, rinorreia, congestão nasal, ptose, miose e edema palpebral.
A oxigenoterapia de alto fluxo (100% O2, 10-15 L/min por máscara não reinalante) é o tratamento agudo de primeira linha porque é eficaz em abortar as crises em muitos pacientes, com rápido início de ação e poucos efeitos colaterais.
Embora ambas sejam unilaterais, a cefaleia em salvas é mais curta, mais intensa, e sempre acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais. A migrânea geralmente tem aura, fotofobia, fonofobia e náuseas, e as crises duram horas a dias, não minutos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo