Cefaleia em Salvas: Diagnóstico e Características Clínicas

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 45 anos, sexo masculino, procura o Pronto-Socorro queixando-se de episódios recorrentes de dor de cabeça intensa nas últimas semanas. A dor é descrita como unilateral, localizada na região órbitotemporal esquerda, com duração de cerca de 30 a 90 minutos, ocorrendo geralmente no final da noite e despertando-o do sono. Durante as crises, ele relata lacrimejamento e vermelhidão ocular do lado afetado, além de congestão nasal. As dores ocorrem de forma cíclica, com períodos de remissão que podem durar meses, mas voltam a surgir com o mesmo padrão. Não apresenta náuseas, e os analgésicos comuns têm sido ineficazes. Qual é o diagnóstico mais provável para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Enxaqueca com aura.
  2. B) Cefaleia do tipo tensional.
  3. C) Cefaleia em salvas.
  4. D) Hemicrania paroxística crônica.

Pérola Clínica

Dor unilateral intensa + Sinais autonômicos (lacrimejamento/congestão) + Ciclicidade = Cefaleia em Salvas.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas é uma cefaleia primária grave, caracterizada por crises curtas, excruciantes e unilaterais, acompanhadas de fenômenos autonômicos ipsilaterais e padrão temporal cíclico.

Contexto Educacional

A cefaleia em salvas (Cluster Headache) é considerada uma das dores mais intensas conhecidas pela medicina. Diferente da enxaqueca, onde o paciente prefere o repouso no escuro, o paciente em crise de salvas costuma ficar agitado, andando de um lado para o outro devido à intensidade da dor. A fisiopatologia envolve a ativação do reflexo trigêmino-autonômico e disfunção hipotalâmica, o que explica a periodicidade das crises. O diagnóstico é puramente clínico, baseado nos critérios da ICHD-3. O reconhecimento precoce é vital para iniciar o tratamento abortivo correto e a profilaxia (geralmente com verapamil), evitando o sofrimento prolongado e o uso desnecessário de exames de imagem.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais autonômicos da cefaleia em salvas?

Durante uma crise de cefaleia em salvas, o paciente apresenta sinais de ativação parassimpática ipsilaterais à dor. Os mais comuns incluem lacrimejamento, hiperemia conjuntival (olho vermelho), congestão nasal, rinorreia, miose, ptose palpebral e edema bipalpebral. Esses sinais são fundamentais para diferenciar as cefaleias trigêmino-autonômicas de outras cefaleias primárias como a enxaqueca.

Como é o padrão temporal da cefaleia em salvas?

A doença recebe esse nome ('salvas' ou 'clusters') porque as crises ocorrem em períodos que duram de semanas a meses, seguidos por longos períodos de remissão completa. As crises individuais duram de 15 a 180 minutos e frequentemente ocorrem no mesmo horário todos os dias, muitas vezes despertando o paciente durante o sono (ritmo circadiano marcado).

Qual o tratamento de escolha para a crise aguda?

O tratamento padrão-ouro para a crise aguda de cefaleia em salvas é a inalação de oxigênio a 100% (12-15 L/min) através de máscara sem reinalação por cerca de 15 minutos. Alternativamente, o sumatriptano por via subcutânea é altamente eficaz. Analgésicos comuns e opioides geralmente não funcionam devido à intensidade da dor e à rapidez com que a crise atinge o pico.

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