Cefaleia em Salvas: Diagnóstico e Tratamento Agudo Essencial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 30 anos de idade, é atendida no PS, referindo dor de cabeça intensa, às vezes excruciante, com localização periorbital, associada a sintomas autonômicosipsilaterais e agitação. Tal quadro alterna períodos de dor intensa, com repetição frequente dos sintomas durante o dia e remissão completa por meses. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Enxaqueca com aura; indometacina.
  2. B) Arterite temporal; corticoide.
  3. C) Cefaleia tensional; anti-inflamatório e relaxante muscular.
  4. D) Cefaleia em salvas; inalação de oxigênio com máscara facial 7-10 L/minuto.

Pérola Clínica

Cefaleia em salvas: dor periorbital unilateral + sintomas autonômicos ipsilaterais + agitação → Oxigênio 7-10 L/min.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas é uma cefaleia primária trigeminal-autonômica caracterizada por dor unilateral intensa, periorbital ou temporal, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais e agitação. O tratamento agudo de escolha é a inalação de oxigênio em alto fluxo.

Contexto Educacional

A cefaleia em salvas é uma das cefaleias primárias mais severas e incapacitantes, pertencente ao grupo das cefaleias trigeminais autonômicas. Sua prevalência é relativamente baixa, afetando cerca de 0,1% da população, predominantemente homens. O reconhecimento precoce é crucial devido à intensidade da dor e ao impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. É um diagnóstico diferencial importante em emergências neurológicas. Clinicamente, a cefaleia em salvas manifesta-se por crises de dor unilateral, excruciante, em pontada ou em aperto, localizada na região periorbital, temporal ou frontal. Essas crises duram de 15 a 180 minutos e ocorrem de 1 a 8 vezes ao dia, em "salvas" que podem durar semanas a meses, seguidas por períodos de remissão. Caracteristicamente, a dor é acompanhada por sintomas autonômicos ipsilaterais (lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose, miose, edema palpebral, sudorese facial) e, distintivamente, por agitação psicomotora. O tratamento agudo de escolha para as crises de cefaleia em salvas inclui a inalação de oxigênio a 100% por máscara facial não reinalante, em alto fluxo (7-10 L/minuto), por 15 a 20 minutos, que pode abortar a crise em muitos pacientes. Triptanos subcutâneos (sumatriptano) também são altamente eficazes. Para a profilaxia, verapamil é a primeira escolha. O manejo adequado exige um diagnóstico preciso e a diferenciação de outras cefaleias, como a enxaqueca, onde a agitação é um fator chave de distinção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cefaleia em salvas?

A cefaleia em salvas é caracterizada por dor unilateral, excruciante, geralmente periorbital, supraorbital ou temporal, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais como lacrimejamento, rinorreia, congestão nasal, ptose, miose, edema palpebral e sudorese facial. A agitação psicomotora é um sintoma distintivo.

Qual a conduta inicial mais eficaz para uma crise aguda de cefaleia em salvas?

A conduta inicial mais eficaz para uma crise aguda de cefaleia em salvas é a inalação de oxigênio a 100% por máscara facial não reinalante, em alto fluxo (7-10 L/minuto), por 15 a 20 minutos. Triptanos subcutâneos também são uma opção eficaz.

Como diferenciar cefaleia em salvas de enxaqueca?

A cefaleia em salvas se diferencia da enxaqueca pela dor unilateral excruciante e curta duração das crises (15-180 min), associada a sintomas autonômicos ipsilaterais e agitação. A enxaqueca, por sua vez, é frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia, e o paciente busca repouso.

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