AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente de 24 anos, masculino, sem comorbidades prévias conhecidas comparece a emergência do pronto atendimento municipal com queixa de cefaleia retro-orbitária direita de forte intensidade associado a intensos episódios de náuseas, além de fotofobia intensa ipsilateral. Ao exame físico, nota-se lacrimejamento e hiperemia ocular direita. Relata crises semelhantes anteriormente, porém com duração menor a atual. Assinale a alternativa que corresponde ao provável diagnóstico e tratamento da condição:
Cefaleia retro-orbitária + sinais autonômicos + crises curtas → Cefaleia em salvas (Tratamento: O2 100%).
A cefaleia em salvas é uma cefaleia trigêmino-autonômica marcada por dor excruciante unilateral e sintomas autonômicos ipsilaterais, respondendo especificamente ao oxigênio de alto fluxo.
A cefaleia em salvas (cluster headache) faz parte do grupo das cefaleias trigêmino-autonômicas. Sua fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminovascular e do reflexo autonômico craniano, além de uma disfunção hipotalâmica que explica a periodicidade das crises (ritmo circadiano). É mais comum em homens e está fortemente associada ao tabagismo. O manejo clínico divide-se em tratamento agudo (abortivo), transicional e profilático. No agudo, o oxigênio e triptanos injetáveis são soberanos. No profilático, o verapamil é a droga de escolha, exigindo monitoramento eletrocardiográfico devido ao risco de bradicardia e bloqueios atrioventriculares. O reconhecimento precoce evita sofrimento desnecessário, dado que a dor é considerada uma das mais intensas conhecidas na medicina.
O tratamento padrão-ouro para abortar a crise de cefaleia em salvas é a administração de oxigênio a 100% através de máscara facial sem reinalação, com fluxo de 12 a 15 litros por minuto, por pelo menos 15 minutos. Alternativamente, o sumatriptano 6mg por via subcutânea é altamente eficaz. Triptanos por via oral geralmente não são recomendados para crises agudas devido ao tempo de latência para início de ação, uma vez que as crises de cefaleia em salvas são curtas (15 a 180 minutos).
Os sinais autonômicos cranianos ocorrem ipsilateralmente à dor e incluem: hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, sudorese frontal ou facial, miose, ptose e edema palpebral. Esses sintomas refletem a ativação do reflexo trigêmino-parassimpático, que é a marca registrada das cefaleias trigêmino-autonômicas, diferenciando-as da migrânea comum, embora esta última possa apresentar sintomas autonômicos leves em alguns casos.
A cefaleia em salvas é estritamente unilateral, com dor de intensidade lancinante (em facada ou queimação), duração curta (15-180 min) e frequência de 1 a 8 crises por dia. O paciente costuma ficar agitado (inquietude motora). Já a migrânea dura de 4 a 72 horas, é pulsátil, frequentemente associada a náuseas e vômitos intensos, e o paciente prefere o repouso no escuro. A presença de sinais autonômicos ipsilaterais marcantes direciona o diagnóstico para cefaleia em salvas.
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