PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021
Paciente de 50 anos, sem diagnóstico de doenças prévias, consultou por virapresentando, há 3 anos, episódios de cefaleia muito intensa nos primeiros minutos, que ocorrem quase sempre na madrugada (fazendo-o despertar), duram em torno de 1 hora e têm remissão espontânea, mas retornam cerca de 4 vezes no mesmo dia. Essa condição se repete por algumas semanas e, depois, o sintoma desaparece por cerca de 6 meses. A cefaleia é unilateral, sempre à esquerda, com episódios de congestão das mucosas nasal e conjuntival esquerdas em algumas ocasiões. Por duas vezes, procurou uma Unidade de Pronto-Atendimento, tendo recebido oxigênio por máscara, com alívio da crise. Mostrava-se preocupado porque, apesar de haver remissões espontâneas, a dor era intensa e ele desconhecia seu significado. No momento da consulta, encontrava-se assintomático, e o exame físico era normal. Com base nos dados, qual o diagnóstico mais provável?
Cefaleia em salvas → dor unilateral intensa, periorbital, noturna, com sintomas autonômicos e alívio por O2.
A cefaleia em salvas é caracterizada por dor unilateral, excruciante, geralmente periorbital, com duração curta (15-180 min) e alta frequência (até 8x/dia), acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais (lacrimejamento, congestão nasal, ptose). O padrão em 'salvas' (períodos de crises seguidos por remissão) e o alívio com oxigênio são marcadores diagnósticos.
A cefaleia em salvas é uma das cefaleias primárias mais dolorosas, classificada como uma cefaleia trigeminal autonômica. Sua prevalência é baixa, mas o impacto na qualidade de vida dos pacientes é significativo devido à intensidade da dor. É mais comum em homens e geralmente se manifesta na idade adulta, com um pico de incidência entre 20 e 50 anos. O reconhecimento precoce é fundamental para um manejo adequado e para evitar diagnósticos errôneos. A fisiopatologia envolve a ativação do hipotálamo e do sistema trigeminal-autonômico. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS). Os pacientes descrevem uma dor unilateral, excruciante, geralmente periorbital, que ocorre em períodos de 'salvas' (semanas a meses) seguidos por remissão. Os sintomas autonômicos ipsilaterais (lacrimejamento, congestão nasal, ptose, miose) são marcantes. A dor frequentemente desperta o paciente durante a madrugada e é acompanhada de agitação motora. O tratamento agudo da cefaleia em salvas inclui oxigenoterapia de alto fluxo e triptanos (subcutâneos ou intranasais). Para a profilaxia, verapamil é a droga de escolha. É crucial diferenciar a cefaleia em salvas de outras cefaleias primárias, como a enxaqueca, e secundárias, para garantir a conduta terapêutica correta e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Os sintomas incluem dor unilateral, excruciante, geralmente periorbital ou temporal, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais como lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose palpebral, miose e edema palpebral. A dor é de curta duração e ocorre em salvas.
A oxigenoterapia de alto fluxo (10-15 L/min por máscara não reinalante) é um tratamento agudo eficaz para a cefaleia em salvas. Acredita-se que o oxigênio atue na vasoconstrição cerebral e na inibição da ativação do sistema trigeminal, aliviando a dor rapidamente.
A cefaleia em salvas se diferencia da enxaqueca pela intensidade da dor (mais severa), duração (mais curta), frequência (múltiplas crises/dia), padrão em salvas e presença de sintomas autonômicos ipsilaterais proeminentes. A enxaqueca geralmente tem duração mais longa, sintomas prodrômicos e aura, e é aliviada por repouso em ambiente escuro e silencioso.
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