UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Paciente de 50 anos, sem diagnóstico de doenças prévias, consultou por vir apresentando, há 3 anos, episódios de cefaleia muito intensa nos primeiros minutos, que ocorrem quase sempre na madrugada (fazendo-o despertar), duram em torno de 1 hora e têm remissão espontânea, mas retornam cerca de 4 vezes no mesmo dia. Essa condição se repete por algumas semanas e, depois, o sintoma desaparece por cerca de 6 meses. A cefaleia é unilateral, sempre à esquerda, com episódios de congestão das mucosas nasal e conjuntival esquerdas em algumas ocasiões. Por duas vezes, procurou uma Unidade de Pronto-Atendimento, tendo recebido oxigênio por máscara, com alívio da crise. Mostrava-se preocupado porque, apesar de haver remissões espontâneas, a dor era intensa e ele desconhecia seu significado. No momento da consulta, encontrava-se assintomático, e o exame físico era normal. Com base nos dados, qual o diagnóstico mais provável?
Cefaleia em salvas: dor unilateral intensa (orbital/temporal), curta duração, alta frequência, noturna, com sintomas autonômicos ipsilaterais e resposta a oxigênio.
A cefaleia em salvas (cluster headache) é uma cefaleia primária caracterizada por crises de dor unilateral, muito intensa, de curta duração (15-180 min), que ocorrem em salvas (períodos de semanas a meses com múltiplas crises diárias) e são acompanhadas por sintomas autonômicos ipsilaterais (congestão nasal, lacrimejamento, ptose, miose, etc.). A resposta ao oxigênio é um forte indicativo diagnóstico.
A cefaleia em salvas, ou cluster headache, é uma das cefaleias primárias mais dolorosas e incapacitantes, pertencente ao grupo das cefaleias trigeminais autonômicas. Embora rara, com prevalência de cerca de 0,1% na população geral, é crucial para residentes e profissionais de saúde reconhecerem seus padrões distintos para um diagnóstico e manejo adequados. A condição é mais comum em homens e geralmente se manifesta entre os 20 e 50 anos. A fisiopatologia da cefaleia em salvas envolve a ativação do hipotálamo e do sistema trigeminal-autonômico. Clinicamente, as crises são caracterizadas por dor unilateral, excruciante, geralmente localizada na região orbital, supraorbital ou temporal, com duração de 15 a 180 minutos. Essas crises ocorrem em 'salvas' ou 'clusters', que são períodos de semanas a meses com múltiplas crises diárias (até 8 vezes ao dia), seguidos por períodos de remissão que podem durar meses ou anos. Um padrão circadiano é comum, com crises frequentemente ocorrendo na madrugada, despertando o paciente. O diagnóstico é clínico e baseia-se nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3). Os sintomas autonômicos ipsilaterais à dor, como lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose, miose, edema palpebral e sudorese facial, são marcadores diagnósticos importantes. A resposta dramática ao oxigênio inalatório durante as crises é um forte indício de cefaleia em salvas. O tratamento agudo inclui oxigênio a 100% e triptanos subcutâneos, enquanto a profilaxia pode envolver verapamil, topiramato ou corticosteroides, dependendo da fase da doença. O reconhecimento precoce é vital para evitar o sofrimento prolongado do paciente.
A cefaleia em salvas é caracterizada por dor unilateral, muito intensa, geralmente periorbital, temporal ou frontal, com duração de 15 a 180 minutos. É acompanhada por sintomas autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose, miose, edema palpebral e sudorese facial.
A cefaleia em salvas difere da enxaqueca pela duração mais curta das crises, maior frequência diária durante os períodos de salvas, padrão circadiano (frequentemente noturno), e pela proeminência dos sintomas autonômicos ipsilaterais. Além disso, a enxaqueca geralmente é acompanhada de foto/fonofobia e náuseas.
O tratamento agudo mais eficaz para uma crise de cefaleia em salvas é a inalação de oxigênio a 100% por máscara (12-15 L/min por 15-20 minutos) e/ou a aplicação subcutânea de triptanos (sumatriptano). Ambos são rápidos e eficazes na interrupção da crise.
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