Cefaleia em Salvas: Diagnóstico e Profilaxia com Verapamil

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 37 anos, relata que desde os 18 anos de idade apresenta episódios de cefaleia de forte intensidade, unilateral, pulsátil, localizada acima da órbita com duração aproximada de duas horas. A dor é de tal forma intensa que causa grande inquietude. Os episódios são acompanhados por rinorreia e vermelhidão ocular do mesmo lado da dor. Relata que estava há mais de 6 meses sem crises, mas elas voltaram a ocorrer nos últimos 2 meses, com um episódio a cada 4 ou 5 dias. Seria a conduta correta:

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento para sinusite com antibióticos.
  2. B) Iniciar tratamento para migrânea com amitriptilina.
  3. C) Iniciar tratamento para cefaleia em salvas com propranolol.
  4. D) Iniciar tratamento para cefaleia em salvas com verapamil.

Pérola Clínica

Cefaleia em salvas → Unilateral + Autonômicos + Inquietude. Profilaxia: Verapamil.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas é uma cefaleia trigêmino-autonômica caracterizada por dor excruciante e sintomas parassimpáticos ipsilaterais. O verapamil é o padrão-ouro para profilaxia.

Contexto Educacional

A cefaleia em salvas (cluster headache) pertence ao grupo das cefaleias trigêmino-autonômicas. Sua fisiopatologia envolve a ativação do reflexo trigêmino-facial e disfunção hipotalâmica, o que explica a periodicidade das crises. O diagnóstico é clínico, baseado na dor unilateral severa associada a pelo menos um sinal autonômico ipsilateral (miose, ptose, edema palpebral, congestão nasal ou rinorreia). O manejo divide-se em abortivo (oxigênio e triptanos) e profilático. O verapamil é a primeira escolha para prevenção, agindo na estabilização da excitabilidade neuronal. Outras opções incluem o carbonato de lítio e o topiramato. O reconhecimento precoce é crucial, pois a intensidade da dor está associada a altas taxas de ideação suicida se não tratada adequadamente.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença clínica entre migrânea e cefaleia em salvas?

A principal diferença reside no comportamento do paciente e na duração. A migrânea dura de 4 a 72 horas e o paciente prefere o repouso em ambiente escuro. A cefaleia em salvas dura de 15 a 180 minutos, é extremamente intensa, unilateral e acompanhada de agitação psicomotora (inquietude) e sinais autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, rinorreia e ptose.

Qual o tratamento de escolha para a crise aguda de cefaleia em salvas?

O tratamento de primeira linha para a crise aguda é a oxigenoterapia a 100% com máscara facial (fluxo de 12-15 L/min) por 15 a 20 minutos. Alternativamente, pode-se utilizar o sumatriptano por via subcutânea (6 mg), que apresenta rápido início de ação, essencial para crises de curta duração.

Por que o verapamil exige monitoramento por ECG?

O verapamil, um bloqueador dos canais de cálcio, é a droga de escolha para a profilaxia da cefaleia em salvas, mas pode causar bradicardia e bloqueios atrioventriculares. Por isso, é obrigatória a realização de um ECG basal e monitoramento periódico durante o aumento da dose para garantir a segurança cardiovascular do paciente.

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