Cefaleia em Salvas: Diagnóstico e Conduta Clínica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um homem com 38 anos de idade vem à consulta no ambulatório de Clínica Médica encaminhado da Unidade Básica de Saúde por apresentar episódios recorrentes de cefaleia. As crises iniciaram-se há dois anos, com cefaleia unilateral esquerda, de forte intensidade, acompanhada de lacrimejamento, rinorreia e ptose palpebral do mesmo lado da dor, durando de 20 a 30 minutos. O paciente relata que as crises ocorrem diariamente por cerca de duas semanas, cessando completamente e reiniciando, aproximadamente, seis meses depois. Os últimos episódios ocorreram há quatro meses. O paciente refere uso de analgésicos comuns e naproxeno durante as crises, relatando alívio apenas parcial, e nega a ocorrência de aura ou presença de fatores desencadeantes. A hipótese diagnóstica e a conduta a ser adotada para esse paciente são:

Alternativas

  1. A) Enxaqueca sem aura, sendo indicado iniciar profilaxia com amitriptilina.
  2. B) Arterite de células gigantes, necessitando de avaliação pelo reumatologista.
  3. C) Cefaleia tensional, devendo ser prescrito relaxante muscular como ciclobenzaprina.
  4. D) Cefaleia em salvas, devendo o paciente ser encaminhado para avaliação do neurologista.

Pérola Clínica

Dor unilateral excruciante + sintomas autonômicos + crises curtas = Cefaleia em Salvas.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas exige diagnóstico clínico preciso baseado na periodicidade e sinais autonômicos, com tratamento imediato por oxigênio e encaminhamento especializado.

Contexto Educacional

A cefaleia em salvas é frequentemente subdiagnosticada, levando anos para o tratamento correto. Sua fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigêmino-vascular e disfunção hipotalâmica, o que explica a periodicidade circadiana e sazonal das crises. O reconhecimento dos sinais autonômicos e da curta duração da dor é o divisor de águas para o diagnóstico diferencial com enxaqueca e neuralgia do trigêmeo.

Perguntas Frequentes

Quais as características típicas da dor na cefaleia em salvas?

A dor é estritamente unilateral (geralmente orbitária ou temporal), de intensidade excruciante (descrita como 'dor em facada'), com duração de 15 a 180 minutos. Diferente da enxaqueca, o paciente costuma ficar agitado e inquieto durante a crise. As crises ocorrem em períodos chamados 'salvas' (weeks to months), intercalados por períodos de remissão completa que podem durar meses ou anos.

O que são os sintomas autonômicos associados?

São sinais de ativação parassimpática craniana ipsilaterais à dor, incluindo: lacrimejamento, congestão conjuntival, rinorreia ou congestão nasal, sudorese frontal, miose, ptose palpebral e edema bipalpebral. Esses sinais são fundamentais para classificar a condição dentro do grupo das cefaleias trigêmino-autonômicas.

Como deve ser feito o manejo terapêutico?

O tratamento da crise aguda (abortivo) é feito preferencialmente com oxigênio a 100% via máscara facial (12-15 L/min por 15 min) ou sumatriptano subcutâneo. Analgésicos comuns e opioides são geralmente ineficazes. Para a profilaxia (prevenção de novas crises durante a salva), o verapamil é a droga de primeira escolha, frequentemente associado a um curso curto de corticosteroides na fase de transição.

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