Cefaleia em Salvas: Manejo Agudo e Terapêutica Essencial

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 23 anos, apresenta quadro de cefaleia intensa, unilateral, temporal, que dura até 90 minutos se não tratada, acompanhada de lacrimejamento, rinorreia e edema palpebral, cerca de 6 vezes ao dia, sem sintomas de tronco cerebral, alterações visuais ou sensoriais. Comparece ao prontosocorro novamente com a referida queixa, estando muito inquieto. Qual é a melhor conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Dipirona, anti-inflamatório não esteroidal, metoclopramida e sumatriptano.
  2. B) Carbamazepina ou fenitoína.
  3. C) Oxigênio a 100% com fluxo de 10L/min e sumatriptano.
  4. D) Valproato de sódio e dexametasona.

Pérola Clínica

Cefaleia em salvas: Oxigênio a 100% e sumatriptano SC/intranasal são a primeira linha para tratamento agudo.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas é uma dor de cabeça primária caracterizada por ataques severos e unilaterais, acompanhados de sintomas autonômicos cranianos. O tratamento agudo de escolha inclui oxigênio a 100% por máscara e sumatriptano subcutâneo ou intranasal, que oferecem alívio rápido e eficaz.

Contexto Educacional

A cefaleia em salvas, ou cluster headache, é uma das dores de cabeça primárias mais severas, classificada como uma cefaleia trigeminal autonômica. Caracteriza-se por ataques de dor unilateral intensa, geralmente na região temporal ou periorbital, com duração de 15 a 180 minutos se não tratada. É acompanhada por sintomas autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, rinorreia, congestão nasal, ptose, miose e edema palpebral. A fisiopatologia envolve disfunção hipotalâmica e ativação do sistema trigeminal-autonômico, sendo mais comum em homens jovens. O diagnóstico é clínico, baseado nas características da dor e nos sintomas associados. A apresentação típica inclui a periodicidade dos ataques (salvas), a intensidade excruciante da dor e a agitação psicomotora do paciente durante as crises. É crucial diferenciar de outras cefaleias, como a migrânea, que geralmente cursa com fotofobia, fonofobia e náuseas, e o paciente tende a buscar repouso. O tratamento agudo da cefaleia em salvas é focado em aliviar rapidamente a dor e os sintomas autonômicos. As opções de primeira linha incluem a inalação de oxigênio a 100% (10-15 L/min por 15-20 minutos via máscara não reinalante) e a administração de sumatriptano (subcutâneo ou intranasal). O oxigênio atua como vasoconstritor cerebral e o sumatriptano, um agonista 5-HT1B/1D, inibe a liberação de neuropeptídeos vasodilatadores. Para a profilaxia, verapamil é a droga de escolha. Residentes devem estar aptos a reconhecer e tratar prontamente essa condição, que pode ser incapacitante.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cefaleia em salvas?

A cefaleia em salvas é caracterizada por dor unilateral intensa, geralmente periorbital, temporal ou frontal, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, rinorreia, congestão nasal, ptose, miose e edema palpebral. O paciente costuma apresentar-se inquieto durante a crise.

Qual a melhor conduta para uma crise aguda de cefaleia em salvas?

Para o tratamento agudo da cefaleia em salvas, a conduta de primeira linha é a administração de oxigênio a 100% com fluxo de 10-15 L/min por máscara não reinalante por 15-20 minutos, associada a sumatriptano subcutâneo (6 mg) ou intranasal (10-20 mg). Esses tratamentos proporcionam alívio rápido dos sintomas.

Por que analgésicos comuns não são eficazes na cefaleia em salvas?

Analgésicos comuns e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são ineficazes para a cefaleia em salvas devido à sua fisiopatologia, que envolve a ativação do hipotálamo e do sistema trigeminal-autonômico. O alívio rápido requer terapias que atuem nesses mecanismos, como o oxigênio e os triptanos, que são agonistas dos receptores de serotonina.

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