UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 27a, procura atendimento por episódios de dor em região retro orbicular e frontal à esquerda, intensa, com duração aproximada de uma hora e meia, associada a lacrimejamento ipsilateral, que ocorreram seis vezes nos últimos três dias. Refere episódios semelhantes no ano passado, quando foi investigado com neuroimagem com resultado normal. Apresenta melhora com uso de triptano, mas sem resposta à dipirona.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Cefaleia em salvas: dor retro-orbital/frontal unilateral intensa, curta duração, com sintomas autonômicos ipsilaterais, melhora com triptano.
A cefaleia em salvas é uma cefaleia primária caracterizada por ataques de dor unilateral, intensa, geralmente retro-orbital ou frontal, de curta duração (15-180 minutos), associada a sintomas autonômicos ipsilaterais (lacrimejamento, congestão nasal, ptose, miose). A recorrência em 'salvas' e a resposta a triptanos ou oxigênio são características importantes para o diagnóstico.
A cefaleia em salvas é uma das cefaleias primárias mais severas e incapacitantes, pertencente ao grupo das cefaleias trigeminais autonômicas (CTAs). Caracteriza-se por episódios de dor unilateral intensa, geralmente localizada na região retro-orbital, supra-orbital ou temporal, acompanhada por sintomas autonômicos ipsilaterais. Embora rara, sua intensidade e o impacto na qualidade de vida dos pacientes a tornam um desafio diagnóstico e terapêutico para estudantes e profissionais de medicina. A fisiopatologia da cefaleia em salvas envolve a ativação do hipotálamo e do sistema trigeminal-autonômico. Os ataques são caracterizados por dor excruciante, descrita como perfurante ou em pontada, com duração típica de 15 a 180 minutos. Os sintomas autonômicos ipsilaterais incluem lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, edema palpebral, ptose, miose e sudorese facial. A periodicidade dos ataques, que ocorrem em 'salvas' (períodos de semanas a meses com ataques diários, seguidos por remissão), é uma característica distintiva. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS), e a neuroimagem (RM de crânio) é recomendada para excluir causas secundárias, embora geralmente seja normal. O tratamento da cefaleia em salvas visa tanto o alívio agudo das crises quanto a prevenção de novos ataques. Para o tratamento agudo, o oxigênio a 100% (12-15 L/min por máscara) e os triptanos (especialmente o sumatriptano subcutâneo) são as opções mais eficazes. Analgésicos comuns, como AINEs ou dipirona, são ineficazes. Para a profilaxia, verapamil, topiramato e corticosteroides são frequentemente utilizados. O reconhecimento precoce e a instituição do tratamento adequado são cruciais para aliviar o sofrimento do paciente e melhorar seu prognóstico, evitando a cronificação da dor e o impacto significativo na vida diária.
Os critérios diagnósticos para cefaleia em salvas incluem ataques de dor unilateral, intensa, geralmente retro-orbital, supra-orbital ou temporal, com duração de 15 a 180 minutos. A dor deve ser associada a pelo menos um sintoma autonômico ipsilateral, como lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, sudorese facial, miose, ptose ou edema palpebral. Os ataques ocorrem em salvas, com períodos de remissão.
O tratamento agudo mais eficaz para uma crise de cefaleia em salvas é a inalação de oxigênio a 100% (12-15 L/min por 15-20 minutos) e a administração de triptanos subcutâneos (sumatriptano) ou intranasais. Analgésicos comuns, como a dipirona, geralmente não são eficazes. É crucial iniciar o tratamento o mais rápido possível no início da crise.
A cefaleia em salvas se diferencia da enxaqueca pela duração mais curta dos ataques (15-180 min vs. 4-72h), pela dor estritamente unilateral e pela presença proeminente de sintomas autonômicos cranianos ipsilaterais. Além disso, pacientes com cefaleia em salvas tendem a ser inquietos durante a crise, enquanto enxaquecosos buscam repouso em ambiente escuro e silencioso.
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