Cefaleia em Salvas: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Homem, 42 anos, previamente hígido, procura atendimento por cefaleia intensa unilateral na região orbital, acompanhada de lacrimejamento ocular, rinorreia e agitação motora. Relata que as crises ocorrem diariamente por 2 a 3 semanas, em horários semelhantes, e desaparecem espontaneamente por meses. Nega aura, fotofobia ou náuseas significativas. Com base no quadro clínico descrito, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica inicial recomendada, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Migrânea sem aura – iniciar tratamento com triptanos orais ao início da crise e betabloqueador para profilaxia.
  2. B) Cefaleia tensional crônica – manejo com analgésicos comuns e antidepressivos tricíclicos para profilaxia.
  3. C) Cefaleia em salvas – tratar crises agudas com oxigenoterapia em alto fluxo ou sumatriptano subcutâneo.
  4. D) Neuralgia do trigêmeo – iniciar carbamazepina, com possibilidade de bloqueio do nervo em casos refratários.
  5. E) Enxaqueca com aura – manejo agudo com AINEs e, se refratária, considerar ergotamínicos.

Pérola Clínica

Cefaleia orbital unilateral + sintomas autonômicos + agitação = Cefaleia em Salvas.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas é uma cefaleia trigêmino-autonômica caracterizada por dor excruciante e agitação motora, tratada agudamente com oxigênio 100% ou triptanos parenterais.

Contexto Educacional

As cefaleias trigêmino-autonômicas representam um grupo de cefaleias primárias onde a ativação do reflexo trigêmino-facial é central. A cefaleia em salvas é a mais comum deste grupo, afetando mais homens do que mulheres. O reconhecimento da agitação motora é um 'red flag' diagnóstico positivo, pois é raro em outras cefaleias. O tratamento deve ser agressivo devido à intensidade da dor, frequentemente descrita como uma das piores experiências sensoriais humanas.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre cefaleia em salvas e migrânea?

A principal diferença reside na duração, localização e sintomas associados. A cefaleia em salvas é estritamente unilateral, orbital ou supraorbital, dura de 15 a 180 minutos e é acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais (lacrimejamento, rinorreia, miose) e agitação psicomotora. Já a migrânea (enxaqueca) costuma durar de 4 a 72 horas, pode ser bilateral, associa-se a náuseas, vômitos, foto e fonofobia, e o paciente prefere o repouso no escuro, ao contrário do paciente com salvas que fica inquieto.

Como deve ser feita a oxigenoterapia na crise?

A oxigenoterapia é o tratamento de primeira linha para crises agudas de cefaleia em salvas. Deve ser administrado oxigênio a 100% através de máscara facial sem reinalação, com fluxo de pelo menos 12 a 15 litros por minuto, por um período de 15 a 20 minutos. É um método seguro, sem efeitos colaterais significativos e altamente eficaz se iniciado precocemente no início da dor. É importante orientar o paciente sobre a técnica correta para garantir a eficácia do tratamento domiciliar ou hospitalar.

Qual a profilaxia de escolha para cefaleia em salvas?

O Verapamil é considerado o padrão-ouro para a profilaxia de longo prazo, geralmente iniciado em doses de 240mg/dia e titulado conforme necessidade e tolerância (monitorando ECG devido ao risco de bloqueio atrioventricular). Como o Verapamil demora a atingir o efeito pleno, utiliza-se frequentemente uma 'terapia de transição' ou 'ponte' com corticosteroides (como prednisona) para interromper o ciclo de crises rapidamente enquanto o profilático principal atinge níveis terapêuticos.

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