UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015
Homem, 50 anos, vem apresentando, há 1 mês, crises diárias de cefaleia. Ocorrem sempre por volta de 1h da manhã, despertando o paciente. Durante as crises, que duram cerca de 30 minutos, apresenta dor excruciante em região orbitofrontal direita, associada à hiperemia conjuntival, ptose palpebral e rinorreia, ipsilaterais. Qual é o provável diagnóstico?
Cefaleia unilateral excruciante + sintomas autonômicos ipsilaterais + crises noturnas = Cefaleia em Salvas.
A cefaleia em salvas é caracterizada por dor unilateral intensa, geralmente periorbital, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais como lacrimejamento, rinorreia, ptose e hiperemia conjuntival, com crises de curta duração que frequentemente ocorrem à noite.
A cefaleia em salvas é uma das cefaleias primárias mais severas, classificada como uma cefaleia trigeminal autonômica. É mais comum em homens, geralmente entre 20 e 50 anos, e se caracteriza por crises de dor excruciante, unilateral, localizada na região orbital, supraorbital ou temporal. A dor é acompanhada por sintomas autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, hiperemia conjuntival, congestão nasal, rinorreia, sudorese facial, miose, ptose e/ou edema palpebral. As crises são de curta duração (15 a 180 minutos) e podem ocorrer várias vezes ao dia, frequentemente despertando o paciente do sono. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminal e do sistema nervoso autônomo parassimpático, com disfunção do hipotálamo. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história detalhada do paciente. É crucial diferenciar de outras cefaleias primárias, como a enxaqueca, e de causas secundárias, embora a apresentação típica seja bastante sugestiva. O tratamento agudo visa abortar a crise, sendo o oxigênio inalatório e os triptanos subcutâneos as opções mais eficazes. Para a prevenção das salvas, o verapamil é a medicação de primeira linha, com outras opções incluindo topiramato, lítio e bloqueio do nervo occipital. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, que sofrem com uma dor incapacitante.
Os critérios incluem crises de dor unilateral, intensa, orbital, supraorbital ou temporal, com duração de 15 a 180 minutos, acompanhadas de pelo menos um sintoma autonômico ipsilateral (lacrimejamento, hiperemia conjuntival, congestão nasal, rinorreia, sudorese facial, miose, ptose, edema palpebral) e/ou agitação motora.
A cefaleia em salvas se distingue pela dor excruciante, duração mais curta das crises (geralmente < 3 horas), padrão de ocorrência (frequentemente noturno e em salvas), e a presença marcante de sintomas autonômicos ipsilaterais. A enxaqueca, por sua vez, é mais comum em mulheres, dura mais tempo, e frequentemente associa-se a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia.
O tratamento agudo de escolha é a inalação de oxigênio a 100% (7-12 L/min por 15-20 minutos) e/ou a administração de triptanos subcutâneos (sumatriptano). Para prevenção, verapamil é frequentemente utilizado.
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