Cefaleia em Salvas: Diagnóstico e Manejo Clínico

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 52 anos de idade, tabagista, apresenta há alguns anos crises de forte dor de cabeça que se concentram principalmente no olho esquerdo. A cefaleia aparece de 2 em 2 anos quase sempre nesta época do ano e permanece por cerca de 45 a 60 dias, a dor dura geralmente 1 hora e na maioria das vezes aparece durante a madrugada despertando-o: fica absolutamente ""desesperado"" quando sente a dor e tem vontade de ""bater a cabeça na parede"". Durante a dor apresenta vermelhidão no olho esquerdo e lacrimejamento intenso desse lado. As crises atuais começaram há 15 dias realizou uma tomografia durante um período de crises, que era normal. Considerando a principal hipótese diagnóstica, o que é correto afirmar?

Alternativas

  1. A) Devemos prescrever Prednisona via oral durante 2 a 3 semanas.
  2. B) Trata-se de uma cefaleia primária responsiva à Indomectacina.
  3. C) As crises intensas devem ser tratadas com Morfina endovenosa.
  4. D) Anti depressivo tricíclico deve melhorar esse tipo de dor de cabeça.

Pérola Clínica

Cefaleia em salvas: dor unilateral excruciante, periódica, noturna, com sintomas autonômicos ipsilaterais e agitação.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas é uma cefaleia primária caracterizada por dor unilateral intensa, periorbitária ou temporal, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais. O tratamento agudo inclui oxigênio e triptanos, enquanto a profilaxia de transição pode ser feita com corticosteroides como a Prednisona.

Contexto Educacional

A cefaleia em salvas, ou Cluster Headache, é uma das cefaleias primárias mais dolorosas, caracterizada por crises de dor unilateral intensa, geralmente periorbitária ou temporal, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais. Sua prevalência é baixa, afetando mais homens tabagistas, e é crucial reconhecer seu padrão cíclico e a agitação psicomotora associada, que a diferencia de outras cefaleias. A fisiopatologia envolve o hipotálamo e o sistema trigeminal autonômico. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da ICHD-3, e exames de imagem como a tomografia ou ressonância são importantes para excluir causas secundárias, especialmente em apresentações atípicas. A suspeita deve surgir diante de dor unilateral excruciante, de curta duração, com sintomas autonômicos e periodicidade. O tratamento das crises agudas inclui oxigênio a 100% por máscara e triptanos subcutâneos. Para a profilaxia, a Prednisona oral pode ser usada como terapia de transição para que outras medicações, como o Verapamil (primeira linha para profilaxia a longo prazo), atinjam níveis terapêuticos. É fundamental o manejo adequado para evitar a cronificação e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cefaleia em salvas?

A cefaleia em salvas manifesta-se com dor unilateral excruciante, geralmente periorbitária ou temporal, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais como lacrimejamento, rinorreia, congestão nasal, ptose e miose. As crises são curtas, mas frequentes, e o paciente costuma apresentar agitação psicomotora.

Qual o tratamento agudo e profilático para cefaleia em salvas?

O tratamento agudo inclui oxigênio a 100% por máscara e triptanos subcutâneos ou intranasais. Para profilaxia de transição, corticosteroides como a Prednisona são usados, e para profilaxia a longo prazo, Verapamil é a primeira escolha.

Como diferenciar cefaleia em salvas de enxaqueca?

A cefaleia em salvas se distingue da enxaqueca pela duração mais curta das crises (15-180 min vs 4-72h), maior frequência, padrão circadiano e sazonal, e pela presença obrigatória de sintomas autonômicos ipsilaterais, além da agitação psicomotora.

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