Cefaleia em Salvas: Diagnóstico e Tratamento Agudo da Crise

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 38 anos, sem comorbidades. Há 2 dias queixa-se de cefaleia intensa, temporal à direita, com duração de 15 a 30 minutos, principalmente à noite. Concomitante, há hiperemia conjuntival, edema palpebral e sudorese facial. Hoje, acordou com ptose palpebral direita. Procurou o pronto atendimento, durante a crise de cefaleia. Exame neurológico: orientado em tempo e espaço, ptose palpebral à direita, pupilas isocóricas e fotorreagentes, musculatura ocular extrínseca preservada e sem déficits focais. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Ressonância magnética de encéfalo.
  2. B) Oxigênio 10 L/min + sumatriptano 6 mg SC.
  3. C) Tomografia de crânio sem contraste.
  4. D) Dipirona 1 g EV + cetoprofeno 100 mg EV.

Pérola Clínica

Cefaleia unilateral intensa + sintomas autonômicos ipsilaterais (ptose, hiperemia, sudorese) → Cefaleia em Salvas. Tratamento agudo = Oxigênio + Sumatriptano SC.

Resumo-Chave

A cefaleia em salvas é uma cefaleia trigeminal autonômica caracterizada por dor unilateral intensa e sintomas autonômicos ipsilaterais. O tratamento agudo de escolha é oxigênio inalatório de alto fluxo e sumatriptano subcutâneo.

Contexto Educacional

A cefaleia em salvas é uma das cefaleias primárias mais severas e incapacitantes, classificada como uma cefaleia trigeminal autonômica (CTA). É caracterizada por ataques de dor unilateral intensa, geralmente periorbital, supraorbital ou temporal, com duração de 15 a 180 minutos, que ocorrem em salvas (períodos de crises diárias seguidos por remissão). A prevalência é baixa, afetando mais homens jovens. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminal e do sistema nervoso autônomo parassimpático, com disfunção do hipotálamo. Os sintomas autonômicos ipsilaterais à dor são cruciais para o diagnóstico e incluem lacrimejamento, hiperemia conjuntival, congestão nasal, rinorreia, sudorese facial, miose e ptose palpebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da ICHD-3. O tratamento da crise aguda é fundamental para aliviar o sofrimento do paciente. As opções mais eficazes são a inalação de oxigênio a 100% em alto fluxo (10-15 L/min por 15-20 minutos) e o sumatriptano subcutâneo (6 mg). Para a profilaxia, verapamil é a droga de escolha. É essencial um diagnóstico rápido e preciso para evitar tratamentos inadequados e garantir o alívio eficaz da dor.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para cefaleia em salvas?

Caracteriza-se por dor unilateral intensa (orbital, supraorbital, temporal), com duração de 15-180 minutos, acompanhada de sintomas autonômicos ipsilaterais como ptose, miose, lacrimejamento, hiperemia conjuntival, rinorreia, congestão nasal e sudorese facial.

Qual a conduta de primeira linha para abortar uma crise de cefaleia em salvas?

A conduta de primeira linha é a inalação de oxigênio a 100% em alto fluxo (10-15 L/min por máscara não reinalante por 15-20 minutos), e/ou sumatriptano subcutâneo 6 mg, que agem rapidamente para aliviar a dor.

Por que é importante diferenciar a cefaleia em salvas de outras cefaleias?

A cefaleia em salvas tem um tratamento agudo e profilático muito específico e eficaz. Um diagnóstico incorreto pode levar a tratamentos ineficazes e sofrimento prolongado para o paciente, além de atrasar a profilaxia adequada.

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