Cefaleia Recorrente em Crianças: Quando Investigar?

HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um menino de 10 anos de idade é atendido no ambulatório de pediatria geral com queixa de cefaleia recorrente há cerca de 1 ano. As dores ocorrem 1 a 2 vezes por mês e são de localização frontal bilateral e associada a náuseas, osmofobia a fotofobia. Ele nega diplopia, dormência e formigamento ou fraqueza nos membros. Não há outras queixas. Exame físico e neurológico normais. Qual alternativa representa a melhor conduta quanto a exames complementares?

Alternativas

  1. A) Ressonância nuclear magnética de encéfalo.
  2. B) Exame de liquor.
  3. C) Nenhum exame complementar é necessário nesse momento.
  4. D) Tomografia computadorizada de crânio.

Pérola Clínica

Cefaleia recorrente em criança com exame neurológico normal e sem sinais de alarme → Não requer exames complementares.

Resumo-Chave

A cefaleia recorrente em crianças, especialmente com características de enxaqueca (náuseas, fotofobia, osmofobia) e exame neurológico normal, é frequentemente uma cefaleia primária. Na ausência de sinais de alarme, exames de imagem não são indicados.

Contexto Educacional

A cefaleia é uma queixa comum na pediatria, e a maioria dos casos em crianças e adolescentes são cefaleias primárias, como enxaqueca ou cefaleia tensional. É fundamental para o pediatra e o residente saber diferenciar as cefaleias primárias das secundárias, que podem indicar condições mais graves. A história clínica detalhada, incluindo características da dor, frequência, duração e sintomas associados, é o pilar do diagnóstico. A enxaqueca em crianças pode apresentar-se de forma um pouco diferente dos adultos, mas sintomas como náuseas, fotofobia e osmofobia são altamente sugestivos. O exame físico e neurológico completo é imprescindível. A ausência de sinais de alarme, como alterações neurológicas focais, papiledema, cefaleia de início súbito e grave, ou cefaleia que acorda a criança, é um forte indicativo de que a causa é primária. Na ausência de sinais de alarme e com um exame neurológico normal, exames complementares como tomografia computadorizada ou ressonância magnética de encéfalo não são justificados. A investigação desnecessária pode gerar ansiedade para a família e expor a criança a radiação ou sedação. O manejo deve focar na educação dos pais, medidas não farmacológicas e, se necessário, tratamento medicamentoso para alívio da dor e profilaxia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme para cefaleia em crianças que justificam investigação?

Sinais de alarme incluem cefaleia progressiva ou súbita e intensa, alterações neurológicas focais, papiledema, mudança de padrão da dor, cefaleia que acorda a criança ou associada a febre e rigidez de nuca.

Como diferenciar uma cefaleia primária de uma secundária em pediatria?

Cefaleias primárias (como enxaqueca) geralmente têm características típicas, exame neurológico normal e ausência de sinais de alarme. Cefaleias secundárias são causadas por outra condição e frequentemente apresentam sinais de alarme.

Qual a importância do exame neurológico no manejo da cefaleia infantil?

Um exame neurológico completo e normal é crucial para descartar causas secundárias graves de cefaleia. Sua normalidade, na ausência de outros sinais de alarme, geralmente dispensa exames de imagem.

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