AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022
Paciente feminina de 23 anos de idade, gestante de segundo trimestre, foi submetida à hemorroidectomia sob raquianestesia há 12 horas devido a extensa trombose hemorroidária. No momento, a enfermagem chama médico residente, pois a paciente não urinou após a cirurgia e sente que está com a bexiga cheia e dolorosa. Refere intensa dor, mesmo em uso de cloridrato de nabulfina. Na manhã seguinte, apresenta intensa cefaleia, principalmente ao levantar-se da cama. Sobre esse caso, é correto afirmar, EXCETO:
Cefaleia pós-raqui é mais comum em mulheres e gestantes; retenção urinária pós-op pode ser causada por opioides ou raquianestesia.
A cefaleia pós-punção dural é uma complicação conhecida da raquianestesia, mais frequente em mulheres, gestantes e jovens. A retenção urinária pós-operatória é comum, multifatorial, e pode ser exacerbada por opioides e pelo próprio bloqueio neuroaxial. A sondagem de alívio é a conduta inicial.
A raquianestesia é uma técnica amplamente utilizada, mas não isenta de complicações. Duas das mais comuns e incômodas são a cefaleia pós-punção dural (CPPD) e a retenção urinária pós-operatória. A CPPD é caracterizada por cefaleia postural, que piora na posição ereta e melhora ao deitar, causada pelo extravasamento de líquor através do orifício na dura-máter. A fisiopatologia da CPPD envolve a perda de líquor, resultando em diminuição da pressão intracraniana e tração das estruturas cerebrais sensíveis à dor. A retenção urinária, por sua vez, pode ser multifatorial, incluindo efeitos da anestesia (bloqueio simpático e parassimpático), uso de opioides, manipulação cirúrgica e ansiedade. O manejo da CPPD inclui repouso no leito, hidratação, analgésicos e, em casos refratários, o "blood patch" epidural. Para a retenção urinária, a sondagem vesical de alívio é a primeira medida, seguida pela identificação e correção da causa. É crucial que o residente reconheça e saiba manejar essas complicações para garantir o conforto e a segurança do paciente.
Os principais fatores de risco incluem sexo feminino, idade jovem, gestação, histórico prévio de cefaleia pós-punção, uso de agulhas de maior calibre e múltiplas tentativas de punção.
A conduta inicial para retenção urinária pós-operatória é a sondagem vesical de alívio para esvaziar a bexiga e aliviar o desconforto do paciente, seguida pela investigação da causa subjacente.
Os opioides podem causar retenção urinária ao aumentar o tônus do esfíncter uretral interno e diminuir a contratilidade do músculo detrusor da bexiga, dificultando a micção.
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