Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021
Mulher de 37 anos, com cefaleia há 7 anos, inicialmente caracterizada por ser hemicraniana, pulsátil, de forte intensidade, com náusea, vômito, fonofobia e fotofobia, com periodicidade mensal e duração de 24 a 48 horas. Há um ano, as crises aumentaram de frequência e duração, com uso diário de analgésicos contendo dipirona e cafeína, assim como Tramadol com Paracetamol. Atualmente a cefaleia tem característica de ser bilateral e em aperto, de moderada intensidade. Exame físico geral e neurológico sem alterações. A principal hipótese diagnóstica para a cefaleia atual da paciente é
Cefaleia crônica diária + uso excessivo de analgésicos (>15d/mês por >3m) → Cefaleia por Abuso de Medicação.
A paciente apresenta um histórico de enxaqueca episódica que evoluiu para cefaleia diária, com mudança de características (bilateral, em aperto) e uso excessivo de analgésicos por mais de 3 meses. Este quadro é clássico de cefaleia por uso excessivo de medicação (CUM), uma condição comum que agrava a cefaleia primária subjacente.
A cefaleia por uso excessivo de medicação (CUM), também conhecida como cefaleia de rebote, é uma condição debilitante que afeta milhões de pessoas globalmente. É uma complicação comum de cefaleias primárias, como enxaqueca ou cefaleia tensional, quando há uso excessivo e crônico de medicamentos para alívio da dor. Para residentes, o reconhecimento e manejo da CUM são cruciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A CUM é caracterizada por uma cefaleia que ocorre em 15 ou mais dias por mês, desenvolvendo-se ou piorando devido ao uso regular excessivo de medicamentos agudos para cefaleia por mais de três meses. O padrão de uso excessivo varia conforme o tipo de medicamento: analgésicos simples (AINEs, paracetamol) por mais de 15 dias/mês, e triptanos, opióides ou combinações por mais de 10 dias/mês. A fisiopatologia envolve uma complexa interação de mecanismos neurobiológicos, incluindo sensibilização central e alterações nos sistemas de dor. O diagnóstico é clínico, baseado na história de cefaleia crônica e no padrão de uso de medicamentos. O tratamento principal consiste na retirada do medicamento abusado, que pode ser gradual ou abrupta, dependendo do fármaco e da tolerância do paciente. Durante a retirada, os pacientes podem experimentar uma piora temporária da cefaleia e outros sintomas de abstinência. É fundamental iniciar uma terapia profilática para a cefaleia primária subjacente e oferecer suporte educacional e psicológico para prevenir recaídas.
Os critérios incluem cefaleia ocorrendo em 15 ou mais dias por mês em um paciente com transtorno de cefaleia primária preexistente, e uso regular excessivo de medicação aguda para cefaleia por mais de 3 meses.
Analgésicos simples (paracetamol, AINEs) se usados em >15 dias/mês, e triptanos, opióides ou combinações de analgésicos se usados em >10 dias/mês.
A abordagem inicial envolve a retirada gradual ou abrupta da medicação abusada, acompanhada de terapia profilática para a cefaleia primária subjacente e suporte para os sintomas de abstinência.
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