INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma mulher com 40 anos é encaminhada da unidade básica de saúde para o ambulatório de referência em neurologia devido a cefaleia. Relata que apresenta episódios de cefaleia hemicraniana, acompanhada de náuseas e escotomas visuais, desde a adolescência, e que, aos 30 anos, fez tratamento com propranolol por 1 ano, o que reduziu significativamente o número de crises de cefaleia, que passaram a ocorrer 1 a 2 vezes no mês. Acrescenta que, no entanto, há 3 meses, a frequência dos episódios aumentou; tornaram-se diários, com despertares noturnos devido a dor, aumento da intensidade e, no momento, descreve a cefaleia como holocraniana.Nessa situação, a conduta adequada para o caso deve ser
Mudança súbita padrão cefaleia (frequência, intensidade, localização) + despertares noturnos → investigar causas secundárias com RM encéfalo.
A mudança no padrão de uma cefaleia crônica, especialmente com aumento da frequência, intensidade, alteração de localização (de hemicraniana para holocraniana) e despertares noturnos, levanta a suspeita de uma cefaleia secundária. Nesses casos, a investigação com neuroimagem, como a ressonância magnética de encéfalo, é fundamental para excluir causas graves.
A cefaleia é uma das queixas mais comuns na prática médica, e sua avaliação exige uma abordagem sistemática. Embora a maioria das cefaleias seja primária (como enxaqueca e cefaleia tensional), é crucial identificar os sinais de alerta, ou "red flags", que podem indicar uma causa secundária grave e potencialmente fatal. A história clínica detalhada é a ferramenta mais poderosa para essa diferenciação. No caso apresentado, a paciente com história de enxaqueca apresenta uma mudança significativa no padrão da dor: aumento da frequência para diária, despertares noturnos, aumento da intensidade e alteração da localização de hemicraniana para holocraniana. Esses são clássicos "red flags" que exigem investigação imediata com neuroimagem, preferencialmente ressonância magnética de encéfalo, para descartar condições como tumores, hemorragias, hidrocefalia ou outras patologias estruturais. A conduta de solicitar uma ressonância magnética é prioritária antes de ajustar o tratamento profilático ou considerar outras intervenções. A falha em investigar adequadamente uma cefaleia com "red flags" pode levar a atrasos no diagnóstico de condições graves, com consequências devastadoras para o paciente. Residentes devem estar atentos a esses sinais para garantir a segurança e o manejo adequado dos pacientes com cefaleia.
Os "red flags" incluem início súbito e intenso ("thunderclap"), cefaleia progressiva, mudança no padrão de cefaleia pré-existente, início após 50 anos, febre, sinais neurológicos focais, papiledema, cefaleia que acorda o paciente e cefaleia associada a trauma ou imunossupressão.
A ressonância magnética oferece melhor resolução para estruturas do parênquima cerebral, detectando lesões menores, tumores de fossa posterior, malformações vasculares e processos inflamatórios/infecciosos que podem ser causas de cefaleia secundária e que podem não ser visíveis na tomografia.
A cefaleia por uso excessivo de medicação (CMUE) é uma cefaleia secundária que surge em pacientes com cefaleia primária pré-existente (geralmente enxaqueca ou cefaleia tensional) que fazem uso crônico e excessivo de analgésicos. Ela se manifesta como uma cefaleia diária ou quase diária, que piora com a interrupção da medicação e melhora com a retirada gradual do analgésico.
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