Caxumba: Notificação Compulsória e Manejo de Surtos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2018

Enunciado

Em uma escola de segundo grau com 200 alunos foram notificados três casos de caxumba no último mês em estudantes de 15 a 18 anos. Assinale a CORRETA:

Alternativas

  1. A) Para ser chamado de surto e dar início à investigação epidemiológica, a incidência deve ser maior que 2% na população sob risco. 
  2. B) Trata-se de um surto de caxumba que deve ser notificado à vigilância epidemiológica. 
  3. C) Deve-se notificar casos graves e complicações à vigilância epidemiológica, pois a caxumba não é uma doença de notificação compulsória. 
  4. D) O período de transmissibilidade da caxumba é ao redor de cinco dias após o início dos sintomas, limitando o seu potencial de transmissão. 

Pérola Clínica

Caxumba é doença de notificação compulsória e 3 casos em escola = surto.

Resumo-Chave

A ocorrência de três casos de caxumba em um curto período de tempo e em um mesmo local (escola) configura um surto. A caxumba é uma doença de notificação compulsória no Brasil, o que significa que todos os casos suspeitos ou confirmados, e especialmente surtos, devem ser imediatamente comunicados à vigilância epidemiológica para que medidas de controle e prevenção sejam implementadas.

Contexto Educacional

A caxumba, ou parotidite infecciosa, é uma doença viral aguda e contagiosa causada pelo vírus Paramyxovirus. Embora geralmente autolimitada, pode levar a complicações sérias como meningite asséptica, orquite (inflamação testicular, que pode causar infertilidade), ooforite e pancreatite. Sua ocorrência, especialmente em ambientes coletivos como escolas, é de grande preocupação para a saúde pública. A fisiopatologia da caxumba envolve a replicação viral nas vias aéreas superiores, seguida de viremia e disseminação para as glândulas salivares (principalmente parótidas) e outros órgãos. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na presença de parotidite unilateral ou bilateral, febre e mal-estar. No entanto, a confirmação laboratorial pode ser necessária em casos atípicos ou para fins epidemiológicos. A identificação de um surto é crucial, pois indica a necessidade de intervenção rápida para conter a disseminação. O manejo de um surto de caxumba envolve a notificação imediata à vigilância epidemiológica, isolamento dos casos, investigação para identificar a fonte e a extensão da transmissão, e a implementação de medidas preventivas, como a vacinação (tríplice viral - SCR) dos contatos suscetíveis. O prognóstico é geralmente bom, mas a prevenção através da vacinação é a estratégia mais eficaz para controlar a doença e evitar surtos e complicações.

Perguntas Frequentes

O que define um surto epidemiológico de caxumba?

Um surto de caxumba é definido pela ocorrência de dois ou mais casos da doença com vínculo epidemiológico (no tempo e espaço) em uma comunidade, instituição ou área geográfica delimitada, excedendo o número esperado de casos para aquela população.

Por que a caxumba é uma doença de notificação compulsória?

A caxumba é de notificação compulsória devido ao seu potencial epidêmico, alta transmissibilidade e risco de complicações graves (meningite, orquite, pancreatite), permitindo que as autoridades de saúde monitorem sua ocorrência e implementem medidas de controle e prevenção.

Qual o período de transmissibilidade da caxumba?

O período de transmissibilidade da caxumba inicia-se cerca de 6 dias antes do início dos sintomas (inchaço das glândulas salivares) e se estende por até 9 dias após, sendo mais contagiosa nos primeiros dias da parotidite.

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