PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Homem de 89 anos é levado pelos familiares para consulta com a queixa de perda de memória, como dificuldade de concentração e esquecimento de alguns nomes de pessoas e de algumas palavras. Apresenta insônia, vários despertares noturnos, noctúria e sonolência diurna. O exame físico não apresenta anormalidades. O miniexame do estado mental revela pontuação 21, considerada baixa para a escolaridade (ensino superior). EXAMES DE LABORATÓRIO: vitamina B12 387pg/mL; TSH 8,8mcUI/mL; T4 livre 1,3ng/dL; sorologia para Treponema pallidum lgG reagente; anti-HIV não reagente. Assinale, entre as abaixo, a conduta inicial INADEQUADA em relação ao manejo das queixas cognitivas nesse paciente:
Declínio cognitivo em idoso → Sempre investigar e tratar causas reversíveis (TSH, VDRL, B12, sono) antes de diagnosticar demência primária.
A conduta inicial em um paciente idoso com declínio cognitivo é investigar e tratar causas potencialmente reversíveis. Neste caso, há hipotireoidismo subclínico, sífilis e suspeita de distúrbio do sono, que devem ser abordados antes de se considerar o uso de inibidores da colinesterase, reservados para demências como a Doença de Alzheimer.
O declínio cognitivo em pacientes idosos é uma queixa comum e requer uma abordagem diagnóstica sistemática e cuidadosa. Embora a Doença de Alzheimer seja a causa mais prevalente de demência, uma proporção significativa de casos de comprometimento cognitivo pode ser secundária a condições médicas tratáveis ou reversíveis. A falha em identificar essas causas pode levar a um diagnóstico incorreto e à perda da oportunidade de intervenção eficaz. A investigação inicial deve ser abrangente, incluindo uma anamnese detalhada, exame físico e neurológico, avaliação funcional e uma bateria de exames laboratoriais e, por vezes, de neuroimagem. As principais causas reversíveis a serem investigadas incluem distúrbios metabólicos e endócrinos (hipotireoidismo, deficiência de B12), infecções do sistema nervoso central (neurossífilis, HIV), distúrbios do sono (apneia obstrutiva do sono), depressão (pseudodemência depressiva), e uso de medicamentos com efeito anticolinérgico. No caso apresentado, o paciente possui múltiplos fatores de confusão: TSH elevado (hipotireoidismo subclínico ou franco), sorologia para sífilis reagente (exigindo investigação de neurossífilis com punção lombar) e sintomas sugestivos de distúrbio do sono. A conduta correta é tratar o hipotireoidismo, investigar e tratar a sífilis, e avaliar o distúrbio do sono com polissonografia. A prescrição de um inibidor da colinesterase seria inadequada neste momento, pois seu uso é específico para demências neurodegenerativas e só deve ser considerado após a exclusão ou tratamento das causas reversíveis.
A avaliação inicial deve incluir hemograma completo, eletrólitos, função renal e hepática, glicemia, vitamina B12, ácido fólico, TSH, T4 livre e sorologia para sífilis (VDRL ou teste treponêmico). Sorologia para HIV também é recomendada.
A punção lombar é indicada quando há suspeita de neurossífilis (como neste caso, com sorologia positiva), meningite crônica, hidrocefalia de pressão normal, doença priônica ou demência rapidamente progressiva. Ela não é um exame de rotina para todos os casos.
O hipotireoidismo pode causar lentificação psicomotora, apatia e déficits de memória e atenção. A apneia do sono leva à fragmentação do sono e hipoxemia noturna, resultando em sonolência diurna excessiva, dificuldade de concentração e prejuízo da memória, simulando um quadro demencial.
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