Causalidade em Epidemiologia: Prevalência e Fator de Risco

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Foi realizado um estudo para avaliar a associação entre a fibromialgia em mulheres em idade fértil e o uso de contraceptivos orais. O estudo identificou 20% de pacientes com fibromialgia no grupo de usuárias de contraceptivos orais e 7% no grupo de não usuárias. Assinale a alternativa que representa a conclusão CORRETA para este estudo:

Alternativas

  1. A) O contraceptivo oral é um fator de risco para o desenvolvimento da fibromialgia.
  2. B) O contraceptivo oral reduziu em 65% a prevalência de fibromialgia.
  3. C) Não se pode concluir se o contraceptivo oral é um fator de risco para fibromialgia com esse desenho de estudo.
  4. D) Não se pode concluir se o contraceptivo oral é um fator de risco para fibromialgia porque nao são apresentadas as células internas da tabela 2x2.

Pérola Clínica

Prevalência ≠ Causalidade. Estudo transversal não estabelece fator de risco.

Resumo-Chave

Apenas a observação de prevalências em dois grupos (usuárias vs. não usuárias) não permite estabelecer uma relação de causalidade ou determinar se um é fator de risco para o outro. Para isso, seriam necessários estudos com desenhos mais robustos, como coorte ou caso-controle.

Contexto Educacional

Em epidemiologia, é crucial distinguir entre associação e causalidade. Uma associação significa que dois eventos ocorrem juntos com alguma frequência, mas isso não implica que um cause o outro. Para estabelecer uma relação de causalidade, são necessários critérios mais rigorosos, como os de Bradford Hill, que incluem força da associação, consistência, especificidade, temporalidade, gradiente biológico, plausibilidade, coerência, evidência experimental e analogia. O estudo descrito na questão, ao comparar a prevalência de fibromialgia em usuárias e não usuárias de contraceptivos orais em um dado momento, é um exemplo de estudo transversal. Este tipo de desenho de estudo é excelente para estimar a prevalência de doenças e exposições, mas é inerentemente limitado para estabelecer relações de causalidade ou determinar fatores de risco. A principal razão é a impossibilidade de determinar a sequência temporal dos eventos: não se sabe se a fibromialgia surgiu antes ou depois do uso do contraceptivo. Para investigar se o contraceptivo oral é um fator de risco para fibromialgia, seriam mais adequados estudos longitudinais, como estudos de coorte (onde se acompanha grupos expostos e não expostos ao longo do tempo para ver quem desenvolve a doença) ou estudos caso-controle (onde se compara a exposição prévia entre indivíduos com e sem a doença). A falta de um desenho de estudo que permita a inferência de causalidade impede a conclusão de que o contraceptivo oral é um fator de risco, mesmo que haja uma diferença nas prevalências.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre associação e causalidade em epidemiologia?

Associação indica que dois eventos ocorrem juntos com frequência. Causalidade significa que um evento é a causa direta do outro, o que exige critérios mais rigorosos para ser estabelecido.

Que tipo de estudo é necessário para determinar um fator de risco?

Para determinar um fator de risco, são necessários estudos longitudinais, como estudos de coorte (prospectivos) ou estudos caso-controle (retrospectivos), que acompanham a exposição antes do desfecho.

O que é um estudo transversal e quais suas limitações?

Um estudo transversal mede a prevalência de uma doença e de uma exposição em um único ponto no tempo. Sua principal limitação é não permitir estabelecer a sequência temporal dos eventos, impedindo inferências de causalidade.

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