Atestado de Óbito: Determinando a Causa Básica em DM2

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2016

Enunciado

 Homem, 64 anos é internado por um tromboembolismo pulmonar agudo. Esse paciente tem como antecedentes: hipertensão arterial diagnosticada há 2 anos e diabetes mellitus do tipo 2 diagnosticado há 15 anos. O médico de família que se encontra no momento realizando uma visita hospitalar a esse paciente relata que ele é um fumante inveterado com carga tabágica de 30 anos/maço. No exame do pé diabético ele apresentava insensibilidade em 6 dos 10 pontos de sensibilidade táctil e ausência de pulso pedioso. Esse paciente evolui para óbito e você terá que fazer seu atestado de óbito. O que você colocaria como a causa básica desse óbito?

Alternativas

  1. A) Tromboembolismo pulmonar.
  2. B) Microangiopatia diabética.
  3. C) Hipertensão arterial sistêmica.
  4. D) Diabetes Melittus.
  5. E) Síndrome de pé diabético.

Pérola Clínica

Causa básica de óbito → doença subjacente que iniciou a sequência de eventos fatais, mesmo que a causa imediata seja outra.

Resumo-Chave

No atestado de óbito, a causa básica é a doença que iniciou a cadeia de eventos que levou à morte. Embora o tromboembolismo pulmonar tenha sido a causa imediata, o Diabetes Mellitus tipo 2, com 15 anos de evolução e complicações micro e macrovasculares, é a condição crônica subjacente que predispunha o paciente a eventos trombóticos e ao agravamento de sua saúde geral.

Contexto Educacional

O preenchimento correto do atestado de óbito é uma habilidade fundamental na prática médica, especialmente para residentes. A causa básica de óbito é a doença ou lesão que iniciou a sequência de eventos mórbidos que levaram diretamente à morte, sendo crucial para estatísticas de saúde pública e compreensão epidemiológica das doenças. Em casos de doenças crônicas como o Diabetes Mellitus, com múltiplas comorbidades e complicações, identificar a causa básica exige uma análise cuidadosa da história clínica completa do paciente. No cenário apresentado, o Diabetes Mellitus tipo 2, com 15 anos de diagnóstico e evidências de complicações (neuropatia periférica, ausência de pulso pedioso indicando doença vascular periférica), representa a doença subjacente que fragilizou o paciente e o tornou suscetível a eventos agudos como o tromboembolismo pulmonar. A hipertensão e o tabagismo são fatores de risco adicionais que agravam as complicações do diabetes, mas o DM é a condição primária que desencadeou a cascata de eventos. Entender a diferença entre causa imediata, intermediária e básica é essencial para a correta codificação e análise dos dados de mortalidade. Para a prova de residência, é importante não apenas saber o conceito, mas aplicá-lo a cenários clínicos complexos, reconhecendo a doença crônica de base como o ponto de partida da cadeia de eventos fatais.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre causa básica e causa imediata de óbito?

A causa imediata de óbito é a doença ou lesão que diretamente levou à morte. A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que resultaram na morte, mesmo que haja outras condições intermediárias.

Como as complicações do Diabetes Mellitus podem levar ao óbito?

O Diabetes Mellitus pode levar ao óbito por complicações agudas (cetoacidose, estado hiperosmolar) ou crônicas, como doença cardiovascular aterosclerótica (infarto, AVC), doença renal crônica, infecções graves e eventos tromboembólicos, todos resultantes da micro e macroangiopatia.

Quais fatores de risco contribuem para o tromboembolismo pulmonar em pacientes diabéticos?

Pacientes diabéticos, especialmente com longa data de doença e tabagismo associado, têm maior risco de aterosclerose e disfunção endotelial, o que pode predispor à trombose venosa profunda e, consequentemente, ao tromboembolismo pulmonar. A imobilização e outras comorbidades também contribuem.

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