IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2019
Um homem de 42 anos é admitido na Emergência com icterícia e encefalopatia hepática e falece 24 horas após a entrada. Seu acompanhante relata que era abstêmio, em tratamento para tuberculose em posto de saúde nos últimos 3 meses, e estava assintomático. A provável causa- base a ser preenchida no atestado de óbito é:
A causa-base do óbito é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que levou à morte, não a complicação final.
A causa-base do óbito é a condição que iniciou a sequência de eventos mórbidos que levaram diretamente à morte. Neste caso, o paciente estava em tratamento para tuberculose e desenvolveu insuficiência hepática aguda (encefalopatia e icterícia), que é uma complicação conhecida e grave da hepatotoxicidade dos medicamentos antituberculose. Embora a insuficiência hepática seja a causa imediata, a tuberculose é a condição subjacente que levou ao uso da medicação e, consequentemente, à complicação fatal.
O preenchimento correto do atestado de óbito é uma habilidade fundamental para médicos, especialmente em residência, pois tem implicações importantes para as estatísticas de saúde pública e para a compreensão da morbimortalidade. A causa-base de óbito é definida como a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que, de forma direta e progressiva, levou à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. Não se trata da causa imediata da morte, mas sim da condição subjacente que desencadeou todo o processo. No caso apresentado, o paciente estava em tratamento para tuberculose, uma doença infecciosa crônica que requer o uso de múltiplos fármacos por um período prolongado. É sabido que alguns medicamentos antituberculosos, como a isoniazida e a pirazinamida, possuem potencial hepatotóxico significativo, podendo levar a uma hepatite medicamentosa e, em casos graves, à insuficiência hepática aguda. O quadro de icterícia e encefalopatia hepática é compatível com uma insuficiência hepática grave. Embora a insuficiência hepática seja a causa imediata da morte, a condição que iniciou toda a cadeia de eventos foi a tuberculose, que exigiu o tratamento com os fármacos hepatotóxicos. Portanto, a tuberculose é a causa-base do óbito. É um erro comum registrar apenas a complicação final (insuficiência hepática) sem rastrear a condição original que a desencadeou, o que distorce as estatísticas de mortalidade por doenças específicas.
A causa-base de óbito é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que, de forma direta ou indireta, levou à morte. É a condição fundamental que desencadeou todo o processo fatal.
A hepatotoxicidade por antituberculosos pode se manifestar com sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos, fadiga, ou mais gravemente com icterícia, dor abdominal, elevação de enzimas hepáticas e, em casos severos, insuficiência hepática aguda com encefalopatia.
A insuficiência hepática é a causa imediata da morte, mas foi uma complicação do tratamento da tuberculose. A tuberculose é a doença subjacente que levou à necessidade do tratamento e, consequentemente, à hepatotoxicidade fatal, sendo, portanto, a condição que iniciou a cadeia de eventos.
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