Hiperaldosteronismo Primário: Cateterismo e Manejo

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 55 anos foi encaminhado ao ambulatório de Cirurgia devido a uma alteração abdominal identificada. Anteriormente, estava em boa saúde, mas começou a experienciar fraqueza muscular generalizada de forma insidiosa, ocasionalmente acompanhada por câimbras. Além disso, relata que sua urina, por vezes, apresenta uma coloração acastanhada. Os exames laboratoriais revelaram uma urina de tipo I com presença de hemossiderinúria e níveis de creatina fosfoquinase de 2.000 U/L (valor de referência: 22 – 334 U/L). Uma anomalia na imagem abdominal está evidente na seta e na cabeça de seta na figura abaixo.Considerando o quadro clínico hipotético apresentado, julgue o item.Em situações específicas, a realização de cateterismo da veia suprarrenal pode ser necessária para confirmar a lateralização e, assim, orientar a decisão terapêutica, que pode incluir tratamento medicamentoso.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Hiperaldosteronismo primário com hipocalemia grave → rabdomiólise. Cateterismo de veia suprarrenal = lateralização para cirurgia.

Resumo-Chave

Em casos de hiperaldosteronismo primário, o cateterismo de veia suprarrenal é crucial para diferenciar hiperplasia adrenal bilateral de adenoma unilateral (aldosteronoma), guiando a decisão terapêutica entre tratamento medicamentoso (para hiperplasia) e cirurgia (para adenoma unilateral). A hipocalemia severa pode levar a rabdomiólise, manifestada por fraqueza e urina escura.

Contexto Educacional

O hiperaldosteronismo primário é uma causa comum de hipertensão secundária, caracterizado pela produção excessiva e autônoma de aldosterona pelas glândulas adrenais. Sua prevalência é subestimada, sendo crucial o rastreamento em pacientes hipertensos com hipocalemia espontânea ou induzida por diuréticos, hipertensão resistente, incidentaloma adrenal e história familiar de hipertensão precoce ou AVC em idade jovem. A fisiopatologia envolve a supressão da renina plasmática pela aldosterona elevada, levando à retenção de sódio, expansão do volume intravascular, hipocalemia e alcalose metabólica. O diagnóstico é feito pela relação aldosterona/renina plasmática elevada e confirmado por testes de supressão. A lateralização da fonte de aldosterona é fundamental para guiar o tratamento, sendo a tomografia computadorizada ou ressonância magnética abdominal os exames iniciais. Em casos de imagem inconclusiva, nódulos bilaterais ou pacientes com mais de 35 anos, o cateterismo de veia suprarrenal é o padrão-ouro para lateralizar a doença. Adenomas unilaterais (aldosteronomas) são tratados cirurgicamente com adrenalectomia, enquanto a hiperplasia adrenal bilateral é manejada clinicamente com antagonistas do receptor de mineralocorticoide. A identificação e tratamento adequados são importantes para prevenir complicações cardiovasculares e renais associadas à hipertensão e hipocalemia crônicas.

Perguntas Frequentes

Quando o cateterismo de veia suprarrenal é indicado no hiperaldosteronismo?

É indicado para lateralizar a fonte de produção de aldosterona (adenoma unilateral vs. hiperplasia bilateral) após o diagnóstico bioquímico e quando a imagem não é conclusiva ou há nódulos bilaterais.

Quais são as manifestações clínicas da hipocalemia grave no hiperaldosteronismo?

A hipocalemia grave pode causar fraqueza muscular, câimbras, paralisia e, em casos extremos, rabdomiólise, que se manifesta com mialgia, urina escura e elevação da CPK.

Qual a diferença de tratamento entre adenoma e hiperplasia adrenal bilateral no hiperaldosteronismo?

Adenomas unilaterais são tratados preferencialmente com adrenalectomia unilateral. A hiperplasia adrenal bilateral é manejada clinicamente com antagonistas do receptor de mineralocorticoide, como a espironolactona ou eplerenona.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo