CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Um paciente com uveíte desenvolveu catarata. Quais cuidados em relação à cirurgia devem ser tomados?
Catarata na uveíte: idealmente 3 meses de olho calmo antes da cirurgia, exceto em urgências facolíticas.
O sucesso da cirurgia de catarata em pacientes com uveíte depende do controle rigoroso da inflamação pré e pós-operatória, respeitando o período de quiescência.
A catarata é uma complicação comum em pacientes com uveíte crônica, resultante tanto do processo inflamatório recorrente quanto do uso prolongado de corticosteroides. O manejo cirúrgico é desafiador devido à presença de sinéquias posteriores, pupilas mióticas e maior fragilidade da barreira hemato-aquosa. Técnicas de expansão pupilar, como o uso de ganchos de íris ou anéis de Malyugin, são frequentemente necessárias e não são contraindicadas, ao contrário do que sugerem mitos sobre inflamação adicional. A escolha da lente intraocular também é crítica, preferindo-se materiais acrílicos hidrofóbicos com bordas quadradas para minimizar a opacificação de cápsula posterior e a reação inflamatória.
A regra de ouro na oftalmologia é que o paciente deve apresentar controle total da inflamação intraocular (ausência de células na câmara anterior) por pelo menos três meses consecutivos antes de ser submetido à cirurgia de catarata eletiva. Isso reduz o risco de complicações graves como a formação de membranas pupilares, edema macular cistoide e hipotonia ocular no pós-operatório.
A cirurgia pode ser antecipada em casos de complicações induzidas pelo próprio cristalino que ameaçam a visão ou a integridade do globo ocular, como no glaucoma facolítico (onde proteínas do cristalino causam obstrução trabecular) ou no glaucoma facomórfico. Nestes casos, a urgência do controle da pressão intraocular sobrepõe-se à necessidade de quiescência inflamatória prolongada.
Diferente do que se possa pensar, o uso de corticoide (seja tópico, oral ou periocular) é frequentemente indicado e essencial no pré-operatório para garantir que o olho esteja o mais calmo possível. Embora exista o risco de aumento da pressão intraocular (esteroide-responsividade), o benefício de prevenir uma crise inflamatória pós-operatória exacerbada geralmente supera esse risco, que deve ser monitorado.
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