CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Qual medicamento pode, mais frequentemente, causar catarata subcapsular anterior?
Amiodarona → Causa córnea verticilata (comum) e catarata subcapsular anterior (menos frequente).
A amiodarona é um antiarrítmico que se deposita em vários tecidos oculares, sendo a córnea verticilata o achado mais comum e a catarata subcapsular anterior uma complicação conhecida do uso crônico.
A amiodarona é um fármaco lipofílico que se acumula nos lisossomos de diversos tecidos, incluindo o epitélio corneano e o cristalino. Na oftalmologia, o acompanhamento de pacientes em uso crônico de amiodarona foca na detecção da ceratopatia em vórtex e, menos frequentemente, da catarata subcapsular anterior. Embora a catarata e a ceratopatia por amiodarona raramente causem sintomas visuais graves (ocasionalmente halos ou leve borramento), o medicamento também tem sido associado a uma complicação muito mais séria: a neuropatia óptica tóxica/isquêmica. Portanto, pacientes em uso de amiodarona devem realizar exames oftalmológicos periódicos para monitorar não apenas o cristalino, mas também a função do nervo óptico.
O efeito ocular mais comum é a córnea verticilata (ceratopatia em vórtex), que ocorre em quase todos os pacientes após o uso prolongado. São depósitos acastanhados no epitélio basal da córnea que seguem um padrão espiralado. Geralmente não afetam a visão e não exigem a interrupção do medicamento.
A amiodarona pode causar opacidades puntiformes amareladas ou esbranquiçadas na região subcapsular anterior do cristalino. Diferente da catarata senil ou da induzida por corticoides, essas opacidades raramente progridem para uma perda visual significativa e costumam ser dose-dependentes.
Além da amiodarona, as fenotiazinas (como a clorpromazina) são conhecidas por causar depósitos pigmentares na cápsula anterior do cristalino e no endotélio corneano. É importante diferenciar esses depósitos das cataratas subcapsulares posteriores causadas por esteroides.
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