CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Em qual tipo de catarata a hidrodissecção apresenta maior risco de ruptura de cápsula posterior?
Catarata polar posterior → Evitar hidrodissecção vigorosa pelo risco de ruptura da cápsula posterior.
Na catarata polar posterior, a opacidade está intimamente aderida a uma cápsula posterior congenitamente frágil ou deiscente; a pressão hidráulica da hidrodissecção pode causar ruptura imediata e perda vítrea.
A catarata polar posterior representa um dos maiores desafios técnicos para o cirurgião de segmento anterior. Diferente das cataratas senis comuns, onde a hidrodissecção é uma etapa rotineira e facilitadora, na polar posterior ela é o principal fator de risco para complicações graves. A literatura indica que a incidência de ruptura de cápsula posterior nesses casos pode chegar a 26% se as técnicas padrão forem utilizadas. O planejamento cirúrgico deve incluir a discussão com o paciente sobre o risco aumentado de vitrectomia e a necessidade de técnicas de 'soft shell' com viscoelásticos. A estratégia de 'no-rotation' (não rotacionar o núcleo) e a hidrodelineação cuidadosa são fundamentais. O entendimento da anatomia patológica desta catarata é essencial para a segurança do paciente e para o sucesso do implante da lente intraocular.
A catarata polar posterior é uma opacidade discoide localizada na face posterior do cristalino. Sua periculosidade reside no fato de que a cápsula posterior nessa região é extremamente fina ou pode apresentar uma deiscência congênita pré-existente. Além disso, a placa de catarata está frequentemente aderida à cápsula. Durante a cirurgia de facoemulsificação, qualquer manobra que aumente a pressão no espaço retrolental ou que tente separar mecanicamente a opacidade da cápsula (como a hidrodissecção) pode resultar em uma ruptura capsular posterior de grandes proporções, levando à queda de fragmentos do núcleo para o segmento posterior (cavidade vítrea).
A hidrodissecção consiste na injeção de fluido entre a cápsula do cristalino e o córtex para separar o núcleo e o córtex da cápsula, permitindo a rotação do cristalino. Já a hidrodelineação é a injeção de fluido entre o endonúcleo e o epinúcleo, criando um 'anel de ouro' visual. Na catarata polar posterior, a hidrodissecção é evitada porque a onda de fluido pode romper a cápsula frágil. A hidrodelineação é preferida pois mantém uma camada protetora de epinúcleo (coxim) sobre a cápsula posterior durante a remoção do núcleo central, minimizando o estresse direto sobre a zona de fragilidade capsular.
Se ocorrer ruptura da cápsula posterior, o objetivo principal é evitar a tração vítrea e a perda de fragmentos nucleares para a retina. O cirurgião deve manter a pressão na câmara anterior com viscoelástico dispersivo antes de retirar a ponteira de faco. Uma vitrectomia anterior meticulosa deve ser realizada para remover o vítreo da câmara anterior e das incisões. Se o suporte capsular restante for suficiente (sulco ciliar), uma lente intraocular de três peças pode ser implantada. Se não houver suporte, técnicas de fixação escleral ou de íris, ou lentes de câmara anterior, devem ser consideradas, dependendo da experiência do cirurgião e das condições oculares.
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