CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
Paciente apresenta a catarata abaixo. Qual dos passos cirúrgicos tem maior potencial de complicação?
Catarata polar posterior → contraindicação relativa à hidrodissecção pelo alto risco de ruptura capsular.
Na catarata polar posterior, a cápsula posterior é extremamente frágil ou aderida à opacidade. A hidrodissecção pode injetar fluido sob pressão, rompendo a cápsula.
A catarata polar posterior representa um desafio cirúrgico significativo devido à sua relação anatômica com a cápsula posterior. Diferente das cataratas senis usuais, onde a hidrodissecção é um passo rotineiro para facilitar a rotação do núcleo, aqui ela se torna o principal gatilho para a ruptura capsular. O cirurgião deve optar por técnicas de 'inside-out' ou hidrodelineação cuidadosa. Estudos mostram que a incidência de ruptura de cápsula posterior em cataratas polares pode chegar a 25-35% se as técnicas convencionais forem aplicadas. O manejo adequado envolve evitar a rotação do cristalino e manter a estabilidade da câmara anterior durante todo o procedimento para evitar o colapso que poderia tracionar a cápsula fragilizada.
A catarata polar posterior caracteriza-se por uma opacidade densa no polo posterior do cristalino que pode estar intimamente aderida ou associada a uma deiscência congênita da cápsula posterior. Durante a hidrodissecção, a onda de fluido pode criar uma pressão hidráulica que rompe essa zona de fragilidade, levando à comunicação imediata com o vítreo e complicações graves durante a facoemulsificação.
A técnica recomendada é a hidrodelineação, que separa o núcleo do epinúcleo, criando uma 'almofada' protetora de córtex e epinúcleo que protege a cápsula posterior frágil durante a manipulação do núcleo central. A rotação do núcleo deve ser evitada ou realizada com extremo cuidado para não exercer estresse mecânico sobre a zona polar.
O diagnóstico é feito na biomicroscopia em fenda, observando-se uma opacidade discoide central na face posterior do cristalino, muitas vezes com anéis concêntricos (aspecto de alvo). É fundamental identificar essa condição antes da cirurgia para planejar uma estratégia de 'no-hydrodissection' e alertar o paciente sobre o risco aumentado de complicações capsulares.
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