Catarata Polar Posterior: Riscos na Hidrodissecção

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Paciente apresenta a catarata abaixo. Qual dos passos cirúrgicos tem maior potencial de complicação?

Alternativas

  1. A) Aspiração cortical
  2. B) Hidrodissecção
  3. C) Implante de lente intraocular
  4. D) Hidrodelineação

Pérola Clínica

Catarata polar posterior → contraindicação relativa à hidrodissecção pelo alto risco de ruptura capsular.

Resumo-Chave

Na catarata polar posterior, a cápsula posterior é extremamente frágil ou aderida à opacidade. A hidrodissecção pode injetar fluido sob pressão, rompendo a cápsula.

Contexto Educacional

A catarata polar posterior representa um desafio cirúrgico significativo devido à sua relação anatômica com a cápsula posterior. Diferente das cataratas senis usuais, onde a hidrodissecção é um passo rotineiro para facilitar a rotação do núcleo, aqui ela se torna o principal gatilho para a ruptura capsular. O cirurgião deve optar por técnicas de 'inside-out' ou hidrodelineação cuidadosa. Estudos mostram que a incidência de ruptura de cápsula posterior em cataratas polares pode chegar a 25-35% se as técnicas convencionais forem aplicadas. O manejo adequado envolve evitar a rotação do cristalino e manter a estabilidade da câmara anterior durante todo o procedimento para evitar o colapso que poderia tracionar a cápsula fragilizada.

Perguntas Frequentes

Por que a hidrodissecção é perigosa na catarata polar posterior?

A catarata polar posterior caracteriza-se por uma opacidade densa no polo posterior do cristalino que pode estar intimamente aderida ou associada a uma deiscência congênita da cápsula posterior. Durante a hidrodissecção, a onda de fluido pode criar uma pressão hidráulica que rompe essa zona de fragilidade, levando à comunicação imediata com o vítreo e complicações graves durante a facoemulsificação.

Qual a alternativa técnica à hidrodissecção nesses casos?

A técnica recomendada é a hidrodelineação, que separa o núcleo do epinúcleo, criando uma 'almofada' protetora de córtex e epinúcleo que protege a cápsula posterior frágil durante a manipulação do núcleo central. A rotação do núcleo deve ser evitada ou realizada com extremo cuidado para não exercer estresse mecânico sobre a zona polar.

Como identificar a catarata polar posterior no pré-operatório?

O diagnóstico é feito na biomicroscopia em fenda, observando-se uma opacidade discoide central na face posterior do cristalino, muitas vezes com anéis concêntricos (aspecto de alvo). É fundamental identificar essa condição antes da cirurgia para planejar uma estratégia de 'no-hydrodissection' e alertar o paciente sobre o risco aumentado de complicações capsulares.

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