CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Assinale a alternativa correta com relação à cirurgia de catarata em crianças:
Catarata pediátrica → ↑ Inflamação pós-op → Corticosteroides potentes obrigatórios.
O olho da criança apresenta uma resposta inflamatória muito mais intensa que o do adulto, exigindo manejo agressivo com corticoides para evitar sinéquias e membranas.
A cirurgia de catarata em pacientes pediátricos é um procedimento complexo que exige técnica refinada e acompanhamento rigoroso. A elasticidade da cápsula anterior e a consistência gelatinosa do cristalino demandam manobras cirúrgicas específicas, como a capsulorrexe manual ou assistida por plasma/laser. O pós-operatório é crítico: além do uso intensivo de corticoides tópicos (e às vezes sistêmicos), a reabilitação visual com óculos ou lentes de contato para tratar a afaquia ou pseudofaquia deve ser imediata para combater a ambliopia. O sucesso cirúrgico é apenas o primeiro passo de um longo processo de desenvolvimento visual.
Crianças possuem um sistema imunológico mais reativo e tecidos oculares (íris e corpo ciliar) mais vascularizados e sensíveis ao trauma cirúrgico. Isso resulta em uma quebra mais acentuada da barreira hemato-aquosa, levando a uma exsudação intensa de proteínas e células na câmara anterior, com alto risco de formação de membranas pupilares e sinéquias posteriores.
Diferente dos adultos, em crianças (especialmente abaixo dos 5-6 anos), a opacificação da cápsula posterior (OCP) é extremamente rápida e agressiva. Por isso, a técnica padrão envolve a realização de capsulorrexe posterior primária e vitrectomia anterior limitada para garantir um eixo visual livre, já que a simples limpeza da cápsula não impede a proliferação celular.
O uso de LIO em crianças menores de 6 meses a 1 ano ainda é controverso devido à rápida mudança na refração (miopização) e maior taxa de complicações. No entanto, após os 2 anos, o implante no saco capsular é amplamente aceito e recomendado para facilitar a reabilitação visual e prevenir a ambliopia, contrariando a ideia de que não se deve implantar antes dos 3 anos.
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