CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Paciente de 76 anos de idade, com hipertensão arterial sistêmica, tabagista crônico, faz uso esporádico de colírio de nafazolina para irritação ocular e nunca usou óculos para longe. Refere melhora progressiva da visão de perto no último ano, circunstância que o fez abandonar os óculos para leitura . Esse paciente provavelmente está desenvolvendo
Melhora súbita da visão de perto no idoso (miopização) → Catarata Nuclear.
A catarata nuclear aumenta o índice de refração do núcleo do cristalino, causando um desvio miópico que permite ao idoso ler sem óculos temporariamente.
A catarata nuclear é a forma mais comum de catarata senil. Ela se caracteriza pela esclerose e pigmentação progressiva do núcleo do cristalino. Fisiopatologicamente, o estresse oxidativo causa a agregação de proteínas (cristalinas) e a formação de pigmentos como a urocroma, que conferem a cor amarelada/âmbar característica. No caso clínico, o paciente de 76 anos apresenta fatores de risco clássicos: idade avançada e tabagismo crônico. O abandono dos óculos de leitura é o sinal patognomônico do 'shift miópico'. Diferente da catarata subcapsular posterior (que causa mais sintomas de ofuscamento e baixa visual rápida) ou da cortical (que pode causar diplopia monocular), a nuclear progride lentamente, alterando o erro refracional do paciente antes de causar cegueira funcional.
Esse fenômeno é conhecido como 'miopização' ou 'segunda visão'. Com o desenvolvimento da catarata nuclear, ocorre um aumento na densidade e no índice de refração do núcleo do cristalino. Isso aumenta o poder convergente do olho, deslocando o foco para perto. Assim, pacientes presbitas que precisavam de óculos para leitura conseguem ler sem auxílio, embora a visão para longe piore simultaneamente.
O tabagismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para a catarata nuclear. As toxinas do cigarro aumentam o estresse oxidativo no cristalino, levando à oxidação de proteínas e lipídios, além de reduzir os níveis de antioxidantes protetores como a vitamina C e o glutationa. Esse dano cumulativo acelera a esclerose e o amarelamento do núcleo cristaliniano.
Além da miopização progressiva, os pacientes frequentemente queixam-se de redução da sensibilidade ao contraste, dificuldade para dirigir à noite devido a halos e ofuscamento (glare) e uma percepção alterada das cores, que parecem mais amareladas ou acastanhadas. A perda de acuidade visual para longe costuma ser gradual e indolor.
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