CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Em um paciente com catarata hipermadura bilateral, que impossibilita a fundoscopia, quais dos exames auxiliares abaixo são os mais indicados?
Opacidade total de meios → USG ocular + reflexo pupilar para avaliar o potencial visual e segmento posterior.
Na catarata hipermadura, a USG ocular exclui patologias retinianas e o reflexo pupilar avalia a integridade funcional do nervo óptico.
A catarata hipermadura ocorre quando as fibras do cristalino sofrem degeneração total, muitas vezes com liquefação do córtex (catarata morganiana). Clinicamente, o paciente apresenta acuidade visual de apenas percepção luminosa ou projeção luminosa. A impossibilidade de realizar a fundoscopia (mapeamento de retina) cria um desafio diagnóstico, pois o cirurgião precisa saber se o 'fundo do olho' está saudável antes de indicar a facoemulsificação. A avaliação deve focar em dois pilares: anatomia e função. A anatomia é verificada pela ultrassonografia ocular (modo B), que visualiza o vítreo, a retina e a coroide. A função é avaliada pelos reflexos pupilares (direto e consensual) e pelos testes de percepção e projeção luminosa. Se o paciente não projeta luz corretamente ou tem DPAR, a cirurgia pode não restaurar a visão, sendo este um ponto crucial para o aconselhamento pré-operatório.
O reflexo pupilar aferente é um indicador vital da integridade do nervo óptico e da retina. Mesmo com uma catarata densa, a luz deve ser capaz de estimular a retina o suficiente para gerar uma resposta pupilar. A presença de um defeito pupilar aferente relativo (DPAR) sugere uma patologia grave do segmento posterior, como descolamento de retina extenso ou neuropatia óptica, o que indicaria um prognóstico visual reservado após a cirurgia de catarata.
A ultrassonografia modo B utiliza ondas sonoras para criar uma imagem das estruturas intraoculares, contornando a barreira física da catarata opaca. Ela é fundamental para descartar descolamento de retina, tumores intraoculares (como melanoma de coroide), hemorragia vítrea ou escavações glaucomatosas profundas. Sem este exame, o cirurgião poderia operar um olho sem potencial de visão ou com patologias que exigiriam uma abordagem combinada.
Não. Tanto a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) quanto a retinografia dependem da transparência dos meios para que os feixes de luz atinjam a retina e retornem ao sensor. Em uma catarata hipermadura (totalmente opaca), a luz é dispersada ou bloqueada, resultando em imagens sem valor diagnóstico. Nesses casos, a tecnologia baseada em som (ultrassom) é a única capaz de 'enxergar' através da opacidade.
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