CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Um recém-nascido apresentou alteração do reflexo vermelho detectada na maternidade. Na avaliação no vigésimo quinto dia de vida, apresenta catarata unilateral, com opacidade total e ultrassonografia ocular sem alterações no segmento posterior. Qual, dentre as alternativas abaixo, apresenta a conduta mais adequada neste momento?
Catarata congênita total unilateral → Cirurgia em até 6 semanas para evitar ambliopia irreversível.
O tratamento da catarata congênita densa é uma urgência oftalmológica devido ao risco iminente de ambliopia por privação sensorial profunda.
A catarata congênita é uma das principais causas de cegueira evitável na infância. O diagnóstico precoce através do Teste do Reflexo Vermelho (Teste do Olhinho) na maternidade é crucial. Fisiopatologicamente, a ausência de estímulo luminoso na fóvea impede a maturação das sinapses no córtex visual primário. Em casos unilaterais, a conduta é agressiva: cirurgia precoce seguida de reabilitação intensa. O uso de lentes intraoculares (LIO) em menores de 6 meses ainda é debatido devido às mudanças biométricas rápidas do olho infantil, mas a prioridade absoluta é a transparência dos meios e a correção da ametropia resultante para permitir o desenvolvimento visual.
Na catarata unilateral, há uma competição interocular assimétrica. O cérebro recebe uma imagem nítida de um olho e uma imagem borrada (ou nenhuma) do outro. Isso gera uma supressão cortical intensa do olho afetado, levando a uma ambliopia por privação muito mais grave e rápida do que nos casos bilaterais simétricos. A intervenção precoce tenta 'nivelar' a competição visual durante o período crítico de plasticidade cerebral.
Para cataratas totais ou centralmente densas (>3mm), a cirurgia deve ser realizada idealmente entre as 4 e 6 semanas de vida. Operar antes das 4 semanas aumenta o risco de glaucoma afácico secundário, enquanto operar após as 8-10 semanas reduz drasticamente o prognóstico de recuperação da acuidade visual devido à consolidação da ambliopia.
A cirurgia é apenas o primeiro passo. Após a remoção do cristalino (lensectomia com ou sem implante de LIO), o paciente fica afácico e necessita de correção óptica imediata com lentes de contato ou óculos. Além disso, a terapia de oclusão (tampão) do olho sadio é mandatória e rigorosa para forçar o desenvolvimento das vias neurais do olho operado, estendendo-se por vários anos.
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