Tratamento de Catarata na Infância: Indicações de LIO

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Em relação ao tratamento de cataratas da infância, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O implante da lente intraocular deve ser realizado no sulco, devido ao menor tamanho do saco capsular.
  2. B) Nos casos de catarata por rubéola congênita é preferível o implante de lentes de silicone.
  3. C) A Capsulorrexe é mais difícil de ser realizada devido a rigidez capsular.
  4. D) O implante da lente intraocular deve ser evitado em crianças abaixo de um ano de idade.

Pérola Clínica

Catarata em < 1 ano → evitar implante de LIO pelo alto risco inflamatório e erro refracional.

Resumo-Chave

O manejo da catarata pediátrica exige cautela; o implante de LIO em lactentes é evitado devido ao crescimento ocular rápido e complicações como glaucoma secundário.

Contexto Educacional

A catarata na infância é uma das principais causas de cegueira evitável, exigindo diagnóstico e intervenção precoces para prevenir a ambliopia. O tratamento cirúrgico difere significativamente do adulto devido à elasticidade capsular, à resposta inflamatória exacerbada e ao desenvolvimento ocular contínuo. Em lactentes, a correção da afaquia é preferencialmente feita com lentes de contato ou óculos, reservando a LIO para casos selecionados ou crianças mais velhas.

Perguntas Frequentes

Por que evitar LIO em menores de 1 ano?

O implante de lente intraocular (LIO) em lactentes é tecnicamente desafiador e associado a uma maior taxa de complicações pós-operatórias, como inflamação intensa (uveíte), formação de membranas pupilares e glaucoma secundário. Além disso, o olho da criança apresenta um crescimento axial rápido e mudanças significativas no poder refracional, tornando a escolha da potência da LIO imprecisa a longo prazo, o que pode levar a erros refracionais graves (miopização excessiva).

Como é a capsulorrexe na criança?

Diferente do adulto, a cápsula anterior do cristalino na criança é extremamente elástica e fina. Isso torna a capsulorrexe manual muito mais difícil, pois a cápsula tende a 'fugir' para a periferia (radialização). Técnicas como a capsulorrexe com pinça de Utrata ou o uso de vitreófago (capsulotomia posterior) são frequentemente necessárias para garantir uma abertura circular e estável.

Qual a conduta na catarata por rubéola?

Na catarata decorrente de rubéola congênita, o vírus pode permanecer viável dentro do cristalino por anos. A manipulação cirúrgica pode liberar o vírus, desencadeando uma uveíte crônica grave. O uso de lentes de silicone deve ser evitado, preferindo-se materiais mais biocompatíveis ou mantendo a afaquia temporária, dependendo da idade e do grau de inflamação ocular prévia.

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