CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Com relação às cataratas congênitas sem outras alterações oculares, é correto afirmar com relação à cirurgia:
Catarata unilateral → pior prognóstico visual que bilateral devido à ambliopia por privação severa.
A catarata unilateral gera uma competição cortical desigual entre os olhos, levando a uma ambliopia profunda se não tratada precocemente com cirurgia e oclusão.
A catarata congênita é uma das principais causas de cegueira evitável na infância. O diagnóstico baseia-se no teste do reflexo vermelho (Teste do Olhinho) alterado. A conduta depende da densidade e localização da opacidade; catarata total ou central maior que 3mm exige cirurgia urgente. Fisiopatologicamente, a privação de estímulo luminoso durante o período crítico de plasticidade neuronal impede a formação de sinapses adequadas no corpo geniculado lateral e no córtex visual primário. O manejo pós-operatório é tão crítico quanto a cirurgia, envolvendo a correção da afaquia (lentes de contato ou LIO) e o tratamento da ambliopia.
O pior prognóstico visual na catarata congênita unilateral deve-se principalmente à ambliopia por privação. Diferente dos casos bilaterais, onde ambos os olhos sofrem privação semelhante, na unilateral o olho saudável domina as conexões no córtex visual. Sem intervenção cirúrgica imediata (geralmente nas primeiras 6 semanas de vida) e uma terapia de oclusão rigorosa do olho sadio no pós-operatório, o cérebro 'suprime' permanentemente a imagem do olho afetado, resultando em baixa visão irreversível mesmo após a remoção da opacidade.
A cirurgia deve ser realizada o mais precocemente possível, idealmente entre as 4 e 6 semanas de vida para catarata unilateral e até as 10 semanas para bilaterais. Adiar a cirurgia para após o segundo ano de vida, como sugerido em algumas alternativas incorretas, condena a criança a uma ambliopia profunda e nistagmo sensorial, pois o período crítico de desenvolvimento da fixação e da binocularidade ocorre nos primeiros meses de vida. O objetivo é restaurar a transparência dos meios ópticos antes que o dano cortical seja permanente.
A principal causa metabólica associada à catarata congênita é a galactosemia, e não a hipocalcemia. Na galactosemia, o acúmulo de dulcitol no cristalino causa um gradiente osmótico que leva à opacificação (clássica catarata em 'gota de óleo'). Outras causas incluem erros inatos do metabolismo e infecções congênitas (complexo TORCH). A identificação precoce dessas condições é vital, pois em casos como a galactosemia, a restrição dietética pode interromper ou até reverter parcialmente a progressão da opacidade.
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