Carcinoma Gástrico: Entenda a Cascata de Correa e Tipos

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação aos carcinomas gástricos.

Alternativas

  1. A) O tipo histopatológico difuso é precedido de lesões pré-malignas, sendo o resultado final de processo crônico que, geralmente, inicia-se com gastrite crônica associado ao Helicobacter pylori, evoluindo para gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e neoplasia.
  2. B) O câncer do coto gástrico é definido como carcinoma primário, aparecendo pelo menos cinco anos após o tratamento cirúrgico para doença maligna do estômago.
  3. C) Diferentes tipos de carcinógenos podem favorecer o aparecimento do carcinoma gástrico e não há variações entre países, grupos étnicos, profissões e níveis socioeconômicos.
  4. D) O câncer gástrico precoce, por definição estabelecida pela Sociedade Japonesa de Pesquisa do Câncer Gástrico em 1962, é aquele cuja invasão está limitada à mucosa ou submucosa, independentemente da presença ou não de metástases.
  5. E) O exame complementar capaz de confirmar o diagnóstico de carcinoma gástrico é a endoscopia digestiva alta.

Pérola Clínica

Cascata de Correa: H. pylori → Gastrite atrófica → Metaplasia intestinal → Displasia → Adenocarcinoma gástrico (tipo intestinal).

Resumo-Chave

A cascata de Correa descreve a progressão histopatológica do câncer gástrico do tipo intestinal, que é a forma mais comum. É um processo crônico que se inicia com a infecção por H. pylori, levando a alterações progressivas na mucosa gástrica.

Contexto Educacional

O carcinoma gástrico é uma neoplasia maligna com alta morbimortalidade global, sendo a quinta causa mais comum de câncer e a terceira causa de morte por câncer. Sua epidemiologia varia significativamente entre regiões, com maior incidência em países asiáticos e na América Latina. A compreensão de sua fisiopatologia e dos fatores de risco é crucial para a prevenção e detecção precoce, especialmente para residentes que atuarão em áreas com alta prevalência. A fisiopatologia do carcinoma gástrico tipo intestinal é bem descrita pela cascata de Correa, um processo multifatorial e gradual que envolve a infecção crônica por Helicobacter pylori, levando a gastrite crônica, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e, finalmente, adenocarcinoma. O diagnóstico definitivo requer endoscopia digestiva alta com biópsias das lesões suspeitas para análise histopatológica. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com sintomas dispépticos persistentes, perda de peso inexplicada ou anemia ferropriva. O tratamento do carcinoma gástrico depende do estágio da doença, variando desde ressecção endoscópica para lesões muito precoces até gastrectomia com linfadenectomia para estágios mais avançados, frequentemente complementada por quimioterapia e/ou radioterapia. O prognóstico está diretamente relacionado ao estágio no momento do diagnóstico, reforçando a importância da detecção precoce. Residentes devem dominar os critérios de estadiamento e as opções terapêuticas para oferecer o melhor manejo aos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais diferenças entre o carcinoma gástrico tipo intestinal e o tipo difuso?

O tipo intestinal geralmente segue a cascata de Correa, associado a fatores ambientais e H. pylori, com células coesas. O tipo difuso é mais associado a fatores genéticos (ex: CDH1), não segue a cascata, e tem células pouco coesas (células em anel de sinete), com pior prognóstico.

Qual o papel do Helicobacter pylori no desenvolvimento do câncer gástrico?

A infecção crônica por H. pylori é o principal fator de risco para o carcinoma gástrico tipo intestinal, iniciando a cascata de Correa que leva à gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e, finalmente, ao câncer.

O que define o câncer gástrico precoce e qual sua importância?

Câncer gástrico precoce é definido pela invasão limitada à mucosa ou submucosa, independentemente do status linfonodal. Sua importância reside no excelente prognóstico após ressecção, com taxas de cura muito elevadas.

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