ENARE/ENAMED — Prova 2022
Carla, residente de pediatria, recebe um folder de um representante de laboratório em que consta a informação de que um novo polivitamínico desse laboratório reduziu em 31% o risco de anemia, comparado ao uso do sulfato ferroso, para lactentes entre 6 e 24 meses de vida. Intrigada com um resultado tão expressivo, ela decide analisar melhor o estudo. Trata-se de um ensaio clínico randomizado duplo-cego, aparentemente bem conduzido e sem vieses importantes, exceto por seu financiamento da indústria e consequente conflito de interesse. Ao chegar na seção de resultados do artigo, Carla se depara com a seguinte tabela:Considerando os resultados do novo polivitamínico para a prevenção de anemia sobre o sulfato ferroso na população estudada, assinale a alternativa correta.
Em eventos de baixa incidência, o Odds Ratio (OR) e o Risco Relativo (RR) são numericamente muito próximos.
Em estudos onde a incidência do desfecho (como anemia) é baixa, o Odds Ratio (OR) e o Risco Relativo (RR) tendem a ter valores muito semelhantes. A diferença entre eles torna-se mais significativa à medida que a incidência do desfecho aumenta.
A interpretação de resultados de ensaios clínicos randomizados é uma habilidade essencial para residentes, especialmente ao lidar com medidas de associação como Odds Ratio (OR) e Risco Relativo (RR). O Risco Relativo (RR) é a razão entre a incidência de um evento no grupo exposto e a incidência no grupo não exposto, sendo uma medida direta do risco. Já o Odds Ratio (OR) é a razão das chances (odds) de um evento ocorrer entre os grupos. Embora conceitualmente distintos, a relação entre OR e RR é um ponto chave na epidemiologia clínica. Uma observação importante é que, quando a incidência do desfecho (o evento de interesse) é baixa na população estudada (geralmente inferior a 10%), o Odds Ratio (OR) tende a ser numericamente muito próximo do Risco Relativo (RR). Isso ocorre porque, para eventos raros, a chance de não ter o evento é quase 1, simplificando o cálculo do odds e aproximando-o do risco. À medida que a incidência do desfecho aumenta, a diferença entre OR e RR torna-se mais pronunciada, com o OR superestimando o RR em estudos de risco. No contexto da questão, a informação de uma "redução de 31% no risco de anemia" sugere que a anemia é um evento de baixa incidência em lactentes para prevenção. Portanto, é razoável inferir que o OR e o RR seriam muito próximos. A Redução do Risco Relativo (RRR) é calculada como (1 - RR) x 100%. Outras medidas como a Redução Absoluta de Risco (RAR) e o Número Necessário para Tratar (NNT) dependem da incidência basal do evento e não podem ser calculadas sem os dados da tabela, mas a proximidade entre OR e RR em eventos raros é um conceito fundamental em bioestatística.
O Risco Relativo (RR) compara a probabilidade de um evento ocorrer em um grupo exposto versus um grupo não exposto. O Odds Ratio (OR) compara as chances (odds) de um evento ocorrer em um grupo exposto versus um grupo não exposto. O RR é mais intuitivo para interpretar risco, enquanto o OR é usado em estudos caso-controle.
O OR se aproxima numericamente do RR quando a incidência do desfecho (evento) na população estudada é baixa (geralmente <10%). Nesses casos, a chance de não ter o evento é muito próxima de 1, tornando o cálculo do odds similar ao do risco.
Uma RRR de 31% significa que o tratamento ou intervenção reduziu em 31% o risco relativo de desenvolver o desfecho em comparação com o grupo controle. Se o RR for 0.69 (1-0.31), o risco no grupo intervenção é 69% do risco no grupo controle.
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