DPOC Grave: Cálculo Carga Tabágica e Manejo Farmacológico

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023

Enunciado

Paciente tabagista de longa data (fumou uma média de 30 cigarros por dia durante 40 anos) realiza espirometria que demonstra VEF1<50% do previsto. Sobre esse caso, analise as assertivas abaixo:I. A carga tabágica desse paciente é 60 maços-ano.II. O uso de broncodilatadores de ação prolongada nesse paciente reduziria em cerca de 20% a chance de exacerbação do DPOC em um ano.III. Corticoide inalatório em associação com β₂-agonista de longa ação traria melhor resultado nesse paciente se compararmos com o uso de β₂-agonista de longa duração associado a anticolinérgico no manejo do DPOC. Quais estão corretas?

Alternativas

  1. A) Apenas I e II.
  2. B) Apenas I e III.
  3. C) Apenas II e III.
  4. D) I, II e III.

Pérola Clínica

Carga tabágica = (cigarros/dia * anos fumados) / 20. DPOC grave (VEF1<50%) → broncodilatadores prolongados reduzem exacerbações.

Resumo-Chave

A carga tabágica é calculada corretamente como 60 maços-ano. Broncodilatadores de longa ação são a base do tratamento da DPOC e comprovadamente reduzem exacerbações. Corticoides inalatórios são indicados em DPOC grave com histórico de exacerbações frequentes ou eosinofilia, mas a combinação LABA/LAMA é geralmente superior ou equivalente à LABA/CI para redução de exacerbações em pacientes sem essas indicações específicas.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, frequentemente associada ao tabagismo. A avaliação da carga tabágica em 'maços-ano' é fundamental para quantificar a exposição ao fumo e estimar o risco de desenvolvimento e progressão da doença. O cálculo é direto e essencial para a anamnese de pacientes tabagistas. O manejo da DPOC visa aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e, principalmente, reduzir a frequência e a gravidade das exacerbações. Broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA) são a pedra angular do tratamento, comprovadamente eficazes na redução de exacerbações em cerca de 20%, independentemente da gravidade da obstrução. A inclusão de corticoides inalatórios (CI) no tratamento da DPOC é mais específica. Embora úteis em pacientes com DPOC grave e histórico de exacerbações frequentes ou eosinofilia, a terapia combinada LABA/LAMA é frequentemente superior ou equivalente à LABA/CI para a maioria dos pacientes na redução de exacerbações, com menor risco de efeitos adversos como pneumonia. A terapia tripla (LABA/LAMA/CI) é reservada para casos mais complexos e refratários.

Perguntas Frequentes

Como calcular a carga tabágica em maços-ano?

A carga tabágica é calculada pela fórmula: (número de cigarros fumados por dia / 20) x número de anos de tabagismo. No caso, (30/20) x 40 = 1.5 x 40 = 60 maços-ano.

Qual o papel dos broncodilatadores de longa ação no tratamento da DPOC?

Broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA) são a base do tratamento da DPOC, pois melhoram a função pulmonar, reduzem os sintomas, aumentam a tolerância ao exercício e, crucialmente, diminuem a frequência e a gravidade das exacerbações.

Quando o corticoide inalatório é indicado no manejo da DPOC?

O corticoide inalatório (CI) é geralmente indicado em pacientes com DPOC moderada a grave que apresentam histórico de exacerbações frequentes (duas ou mais por ano) ou que possuem eosinofilia sanguínea, sempre em combinação com um LABA, e frequentemente com um LAMA (terapia tripla).

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