USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher, 75 anos, apresenta palpitações taquicárdicas e dispneia há 3 horas. Sem outras queixas. Exame físico: consciente, orientada, ritmo cardíaco irregular em 3 tempos, bulhas hipofonéticas, sem sopros. Tempo de enchimento capilar menor que 3 segundos. Murmúrio vesicular presente e simétrico, com estertores finos em terços inferiores dos campos pulmonares. FC = 142 bpm, PA = 110 x 70 mmHg. Eletrocardiograma na figura abaixo: Qual das condutas abaixo é a mais apropriada para o atendimento inicial dessa paciente?
Taquiarritmia + sinais de instabilidade hemodinâmica (dispneia, estertores, hipotensão) → Cardioversão Elétrica SINCRONIZADA URGENTE.
A presença de sinais de instabilidade hemodinâmica, como dispneia com estertores finos (sugestivo de congestão pulmonar/insuficiência cardíaca aguda) e hipotensão relativa (PA 110x70 em idosa com FC 142), em um paciente com taquiarritmia, indica a necessidade de cardioversão elétrica sincronizada de urgência.
As taquiarritmias são arritmias cardíacas com frequência ventricular elevada, que podem ser classificadas como estáveis ou instáveis. A identificação rápida da instabilidade hemodinâmica é crucial, pois determina a urgência e o tipo de intervenção. Sinais como hipotensão, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica e sinais de insuficiência cardíaca aguda (como dispneia e estertores pulmonares) indicam instabilidade. A fisiopatologia da instabilidade em taquiarritmias reside na redução do tempo de enchimento ventricular e, consequentemente, do débito cardíaco, levando à hipoperfusão de órgãos vitais. Em pacientes idosos, a tolerância a essas arritmias é menor devido a comorbidades cardíacas preexistentes. A conduta inicial para taquiarritmias instáveis é a cardioversão elétrica sincronizada de urgência. Esta medida visa restaurar o ritmo sinusal de forma rápida e segura, melhorando a hemodinâmica do paciente. O atraso na realização da cardioversão pode levar a piora do quadro clínico, choque e até óbito. É fundamental que residentes e profissionais de emergência estejam aptos a reconhecer a instabilidade e a realizar o procedimento prontamente.
Os sinais de instabilidade incluem hipotensão, alteração aguda do estado mental, sinais de choque, dor torácica isquêmica aguda e sinais de insuficiência cardíaca aguda, como dispneia e estertores pulmonares.
Em taquiarritmias instáveis, a cardioversão elétrica oferece uma reversão mais rápida e eficaz da arritmia, restaurando a perfusão tecidual e prevenindo a deterioração clínica. Drogas antiarrítmicas podem demorar a agir ou ser ineficazes, atrasando o tratamento vital.
Os riscos incluem queimaduras na pele, dor, arritmias pós-cardioversão (geralmente transitórias), e em casos raros, embolia sistêmica se houver trombos intracardíacos e a cardioversão não for sincronizada ou o paciente não estiver anticoagulado adequadamente.
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