SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Paciente masculino, 29 anos, atendido no pronto-socorro queixando-se de palpitações que se iniciaram nas últimas horas. Realizou eletrocardiograma (ECG) demonstrado em abaixo. Apresenta pressão arterial= 126x80, frequência respiratória= 18 irpm, Saturação de oxigênio= 99%, eupneico, sem demais alterações no exame físico. Nega comorbidades conhecidas. A respeito desse caso, afirma-se:
Paciente estável com taquiarritmia → Cardioversão elétrica sincronizada é opção válida.
Em taquiarritmias sintomáticas, a estabilidade hemodinâmica permite a escolha entre controle de frequência ou ritmo. A cardioversão elétrica sincronizada é eficaz e segura sob sedação.
O manejo das taquiarritmias no departamento de emergência baseia-se primariamente na estabilidade hemodinâmica. Se o paciente apresenta sinais de instabilidade (hipotensão, dor torácica anginosa, edema agudo de pulmão ou alteração do nível de consciência), a cardioversão elétrica sincronizada imediata é mandatória. No entanto, no paciente estável, a cardioversão elétrica permanece como uma opção terapêutica de primeira linha para o controle do ritmo, especialmente se os sintomas forem limitantes. A escolha entre controle de frequência (com betabloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio) e controle de ritmo (cardioversão química ou elétrica) deve considerar a idade do paciente, o tempo de arritmia e a presença de comorbidades. Em pacientes jovens e sem doenças cardíacas prévias, a restauração do ritmo sinusal é frequentemente o objetivo principal para melhorar a qualidade de vida e prevenir o remodelamento atrial deletério a longo prazo.
A cardioversão elétrica é sincronizada com a onda R do ECG para evitar o período refratário vulnerável (onda T), prevenindo a indução de fibrilação ventricular acidental. É usada em ritmos organizados como FA ou Flutter. A desfibrilação é um choque não sincronizado de alta energia usado em ritmos de parada cardiorrespiratória desorganizados, como a fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso. A sincronização é o que garante a segurança do procedimento em pacientes que ainda possuem atividade elétrica organizada, minimizando o risco de degeneração para ritmos de parada cardíaca durante a tentativa de reversão.
A cardioversão química com fármacos como amiodarona ou propafenona pode ser preferida em pacientes estáveis que desejam evitar sedação ou quando o médico opta por uma abordagem menos invasiva inicial. No entanto, a propafenona é contraindicada em pacientes com cardiopatia estrutural ou isquêmica. A cardioversão elétrica é geralmente mais eficaz e rápida, sendo a escolha preferencial quando o controle do ritmo é desejado de forma imediata ou quando a terapia farmacológica falha. A decisão deve ser compartilhada com o paciente, explicando os riscos de sedação versus os efeitos colaterais potenciais das drogas antiarrítmicas.
O principal risco é o tromboembolismo sistêmico (AVC) se a arritmia tiver mais de 48 horas de duração sem anticoagulação prévia adequada. Nesses casos, a restauração do ritmo sinusal pode deslocar trombos formados no apêndice atrial esquerdo. Se o tempo de início for superior a 48h ou desconhecido, deve-se anticoagular por 3 semanas antes ou realizar ecocardiograma transesofágico para excluir trombos. Em pacientes jovens e estáveis com início súbito documentado (<48h), a cardioversão pode ser realizada com segurança, seguida de avaliação da necessidade de anticoagulação a longo prazo baseada no escore CHA2DS2-VASc.
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