Taquiarritmia Instável: Manejo e Cardioversão Elétrica

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 55 anos, portador de Insuficiência Cardíaca com fração de ejeção de 22% decorrente de doença de Chagas, é trazido ao hospital por familiares por quadro de dispneia e confusão mental. Faz uso domiciliar de Furosemida 40mg ao dia, Carvedilol 25mg a cada 12 horas, Sacubitril-Valsartana 200mg a cada 12 horas e Espironolactona 25mg ao dia. Ao exame físico, o paciente apresenta-se com escala de coma de Glasgow com 10 pontos, Saturação de O2 88%, Pressão Arterial 72x44 mmHg e Frequência Cardíaca de 210bpm. Você observa o seguinte traçado no monitor cardíaco. Qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Realizar Cardioversão Elétrica Sincronizada imediatamente.
  2. B) Realizar infusão de Amiodarona 150mg em 10 minutos.
  3. C) Realizar infusão de Amiodarona 300mg em bolus.
  4. D) Realizar Desfibrilação Imediatamente.
  5. E) Realizar infusão de 1g de Sulfato de Magnésio.

Pérola Clínica

Taquiarritmia + instabilidade hemodinâmica (hipotensão, confusão, choque) → Cardioversão Elétrica Sincronizada imediata.

Resumo-Chave

Pacientes com taquiarritmia e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, alteração do nível de consciência, sinais de choque) necessitam de cardioversão elétrica sincronizada imediata. A prioridade é reverter a arritmia para estabilizar o paciente, independentemente do tipo exato da taquicardia (supraventricular ou ventricular).

Contexto Educacional

A taquiarritmia instável é uma emergência médica que exige reconhecimento e intervenção imediatos para prevenir desfechos adversos. A instabilidade é definida pela presença de hipotensão, alteração do nível de consciência, sinais de choque, dor torácica isquêmica ou insuficiência cardíaca aguda, todos diretamente atribuíveis à taquicardia. A etiologia subjacente, como a doença de Chagas neste caso, pode predispor a arritmias complexas e agravar a disfunção cardíaca preexistente. O diagnóstico é clínico, baseado na presença da taquicardia e dos sinais de instabilidade. O traçado do monitor cardíaco é crucial para identificar o tipo de arritmia, embora a conduta inicial em um paciente instável seja a mesma, independentemente de ser uma taquicardia supraventricular ou ventricular. A rápida avaliação e decisão são fundamentais para a sobrevida do paciente, especialmente em cenários de insuficiência cardíaca grave. A conduta adequada para taquiarritmias instáveis é a cardioversão elétrica sincronizada imediata. Este procedimento visa restaurar o ritmo sinusal normal e estabilizar o paciente. Atrasos na sua realização para tentar terapias farmacológicas podem ser fatais. A desfibrilação é reservada para fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, onde não há complexos QRS para sincronizar o choque.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em taquiarritmias?

Os sinais incluem hipotensão arterial, alteração aguda do nível de consciência, sinais de choque (pele fria e pegajosa, oligúria), dor torácica isquêmica e insuficiência cardíaca aguda.

Por que a cardioversão elétrica é a conduta inicial em taquiarritmias instáveis?

A cardioversão elétrica sincronizada é o tratamento de escolha porque reverte a arritmia rapidamente, restaurando a estabilidade hemodinâmica e prevenindo complicações graves como parada cardíaca.

Qual a diferença entre cardioversão e desfibrilação?

A cardioversão é sincronizada com a onda R do ECG e é usada em taquiarritmias com QRS presente. A desfibrilação é assíncrona e usada em FV ou TV sem pulso, onde não há QRS organizado para sincronizar.

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