Cardiotoxicidade no Tratamento Anti-HER2: Monitoramento e Cuidados

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025

Enunciado

Paciente com neoplasia de mama HER2 positivo irá receber tratamento anti-HER2. Sobre o cuidado cardiovascular, qual a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) Trata-se de uma terapia segura do ponto de vista cardiovascular e que não exige cuidados adicionais.
  2. B) Deve-se introduzir tratamento profilático com medicações para insuficiência cardíaca mesmo que paciente não apresente alterações em exames ou histórico de doenças cardiovasculares.
  3. C) Deve haver monitoramento cardiovascular durante o tratamento, especialmente com ecocardiograma em intervalos planejados.
  4. D) Antraciclinas são drogas com baixo perfil de cardiotoxicidade, sendo preferenciais para pacientes com disfunção miocárdica no lugar do tratamento anti-HER2.

Pérola Clínica

Anti-HER2 (Trastuzumabe) → Cardiotoxicidade reversível e não dose-dependente; exige Eco seriado.

Resumo-Chave

Terapias anti-HER2 podem causar disfunção ventricular esquerda reversível, exigindo monitoramento ecocardiográfico periódico durante todo o tratamento.

Contexto Educacional

O tratamento do câncer de mama HER2-positivo foi transformado pelo uso de anticorpos monoclonais como o trastuzumabe. No entanto, o receptor HER2 também está presente nos cardiomiócitos, onde desempenha papel protetor contra o estresse. O bloqueio dessa via pode levar à disfunção contrátil miocárdica. Diferente da toxicidade das antraciclinas, a toxicidade por anti-HER2 não envolve morte celular extensa (necrose), o que explica sua natureza frequentemente reversível. O acompanhamento rigoroso com ecocardiograma permite a detecção precoce da disfunção ventricular. Caso ocorra queda significativa da FEVE, o tratamento oncológico pode ser temporariamente suspenso e iniciado tratamento para IC (IECA/BRA e betabloqueadores), com frequente recuperação da função cardíaca e possibilidade de reintrodução da terapia oncológica.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre a cardiotoxicidade por antraciclinas e anti-HER2?

As antraciclinas (ex: doxorrubicina) causam lesão miocárdica direta por estresse oxidativo, sendo dose-dependente e frequentemente irreversível (Tipo I). Já os agentes anti-HER2 (ex: trastuzumabe) causam disfunção miocárdica por bloqueio de vias de sobrevivência celular, não sendo dose-dependente e sendo frequentemente reversível após a suspensão da droga (Tipo II).

Com que frequência deve-se realizar o ecocardiograma no tratamento anti-HER2?

As diretrizes de cardio-oncologia recomendam a realização de um ecocardiograma basal antes do início do tratamento e monitoramento periódico, geralmente a cada 3 meses, durante a terapia com trastuzumabe. O objetivo é detectar precocemente quedas na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) antes do surgimento de sintomas de insuficiência cardíaca.

O que define a cardiotoxicidade induzida por quimioterapia?

É classicamente definida como uma queda na FEVE > 10 pontos percentuais para um valor abaixo do limite inferior da normalidade (geralmente < 50% ou 53%). Atualmente, o uso do Strain Global Longitudinal (SGL) no ecocardiograma permite detectar disfunção subclínica antes mesmo da queda da FEVE, permitindo intervenções cardioprotetoras precoces.

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