Cardiotocografia Não Reativa em Pós-Termo: Conduta e Preparo de Colo

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Primigesta de 41 semanas, 28 anos de idade, relata diminuição da movimentação fetal. Pré-natal sem complicações, feto com crescimento e desenvolvimento normais. Exame físico: bom estado geral, sinais vitais normais, altura uterina 34 cm, BCF 140 bpm, dinâmica uterina ausente. Toque: apresentação cefálica, plano –2, colo pérvio para 2 cm, 40% de esvaecimento e bolsa íntegra. Perfil biofísico fetal de 8 com a seguinte cardiotocografia:Qual é a interpretação da cardiotocografia e a conduta?

Alternativas

  1. A) Tranquilizador; retorno para reavaliação em 3 dias.
  2. B) Não tranquilizador; realizar cesárea.
  3. C) Reativo; iniciar indução com ocitocina.
  4. D) Não reativo; prolongar o traçado; iniciar preparo de colo com misoprostol.

Pérola Clínica

CTG não reativa + diminuição MF em pós-termo → Prolongar traçado, avaliar bem-estar fetal, considerar preparo de colo.

Resumo-Chave

Uma cardiotocografia não reativa, especialmente em uma gestação pós-termo com relato de diminuição da movimentação fetal, indica a necessidade de uma avaliação mais aprofundada do bem-estar fetal. Antes de uma intervenção mais invasiva, a conduta inicial é prolongar o traçado para confirmar a não reatividade e, se persistir, iniciar o preparo do colo uterino, como com misoprostol, visando a indução do parto.

Contexto Educacional

A gestação pós-termo, definida como aquela que ultrapassa 42 semanas completas (ou 41 semanas e 0 dias, dependendo da diretriz), ou mesmo a gestação prolongada (após 41 semanas), exige vigilância redobrada devido ao aumento do risco de complicações maternas e fetais. A diminuição da movimentação fetal é um sinal de alerta importante que demanda avaliação imediata do bem-estar fetal, especialmente em gestações avançadas. A avaliação do bem-estar fetal inclui métodos como a cardiotocografia (CTG) e o perfil biofísico fetal (PBF). Embora o PBF de 8 seja tranquilizador, uma cardiotocografia não reativa em uma gestante pós-termo com queixa de diminuição da movimentação fetal é um achado preocupante. A CTG não reativa sugere uma possível hipóxia fetal e requer atenção imediata para evitar desfechos adversos. A conduta diante de uma CTG não reativa em gestação pós-termo, após a confirmação da não reatividade por um traçado prolongado, geralmente envolve a indução do parto. Se o colo uterino não estiver favorável (como indicado por um Bishop score baixo, inferido pelo esvaecimento de 40% e dilatação de 2 cm), o preparo do colo com agentes como o misoprostol é a primeira etapa. O misoprostol ajuda a amadurecer o colo, tornando-o mais receptivo à ocitocina para a indução do trabalho de parto, visando o parto vaginal e evitando a cesariana desnecessária, mas garantindo a segurança fetal.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma cardiotocografia não reativa?

Uma cardiotocografia não reativa é caracterizada pela ausência de acelerações transitórias da frequência cardíaca fetal (FCF) em resposta à movimentação fetal ou à estimulação, e/ou pela presença de desacelerações. Isso pode indicar comprometimento do bem-estar fetal.

Qual a conduta inicial diante de uma cardiotocografia não reativa em gestação pós-termo?

A conduta inicial é prolongar o traçado da CTG por mais 20-40 minutos para confirmar a não reatividade. Se persistir, e considerando a gestação pós-termo e a diminuição da movimentação fetal, deve-se considerar a indução do parto, iniciando com o preparo do colo uterino, se este for desfavorável, geralmente com misoprostol.

Quando o misoprostol é indicado no preparo de colo uterino?

O misoprostol é indicado para o preparo de colo uterino em gestações a termo ou pós-termo com colo desfavorável (Bishop score baixo), quando há indicação de indução do parto. Ele atua amadurecendo o colo, tornando-o mais favorável para a indução com ocitocina.

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