USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 32 anos de idade, primigesta com 38 semanas de gravidez, sem doenças, foi admitida na maternidade em trabalho de parto espontâneo. Apresentou amniorrexe espontânea no momento da admissão, com saída de líquido claro com grumos. Ao exame físico, apresentou bom estado geral, corada, normotensa e normocárdica. Abdome gravídico, altura uterina de 33 cm, dinâmica presente, batimento cardíaco fetal presente de 146 bpm. O acompanhamento do trabalho de parto está demonstrado no partograma a seguir:Às 21h, a cardiotocografia apresenta o seguinte traçado:A cardiotocografia demonstra que, neste momento, há:
DIP I (precoce) = Síncrona com a contração → Compressão cefálica → Reflexo vagal (Fisiológico).
As desacelerações precoces (DIP I) são causadas pela compressão da cabeça fetal no canal de parto, estimulando o nervo vago e reduzindo a frequência cardíaca temporariamente sem indicar hipóxia.
A cardiotocografia intraparto é uma ferramenta essencial para a vigilância da vitalidade fetal. O reconhecimento dos padrões de desaceleração permite ao obstetra diferenciar eventos fisiológicos de patológicos. O DIP I, mediado pelo nervo vago, é comum durante a fase ativa do trabalho de parto e no período expulsivo. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intracraniana fetal durante a contração, o que reduz o fluxo sanguíneo cerebral momentaneamente e ativa barorreceptores ou quimiorreceptores, resultando em bradicardia reflexa. A manutenção da variabilidade normal é o principal indicador de que o feto está compensando bem essas alterações mecânicas.
A desaceleração precoce, ou DIP I, é caracterizada por uma queda gradual da frequência cardíaca fetal cujo nadir (ponto mais baixo) coincide com o ápice da contração uterina. É uma imagem em espelho da contração. Clinicamente, indica compressão da cabeça fetal, o que gera uma resposta vagal reflexa, não estando associada a quadros de hipóxia ou acidemia fetal.
Como o DIP I é considerado um achado fisiológico decorrente da compressão cefálica no canal de parto, a conduta é expectante. Não há necessidade de intervenções imediatas, como oxigenoterapia ou parto operatório, desde que a variabilidade esteja preservada e não existam outros sinais de alerta no traçado cardiotocográfico.
A diferenciação é temporal em relação à contração. No DIP I, o início e o fim da desaceleração coincidem com o início e o fim da contração (sincronia). No DIP II (desaceleração tardia), o nadir ocorre após o pico da contração, indicando insuficiência útero-placentária e potencial hipóxia, exigindo avaliação imediata.
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