Classificação de Cardiotocografia e Trabalho de Parto Prematuro

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Primigesta, 35 semanas de gestação, procura a hospital com queixa de dores em baixo ventre, tem pesquisa de estreptococo B negativa. Ao exame: bom estado geral, afebril, altura uterina de 33 cm, dinâmica uterina presente (três a quatro contrações a cada 10 minutos, moderadas), BCF presentes. Ao toque vaginal: colo fino, dilatado para 4 cm, bolsa íntegra, apresentação cefálica. A cardiotocografia de entrada é mostrada na figura.a) Qual é a classificação do traçado cardiotocográfico e qual (is) parâmetro (s) justifica (m) a classificação?b) Qual é o próximo passo na conduta obstétrica para o cuidado dessa parturiente?

Alternativas

Pérola Clínica

CTG Categoria I = FCB 110-160 + Variabilidade moderada + Sem desacelerações tardias/variáveis.

Resumo-Chave

A avaliação do bem-estar fetal via cardiotocografia (CTG) é mandatória no trabalho de parto prematuro. A classificação do traçado orienta se a conduta será expectante ou se há necessidade de intervenção imediata por sofrimento fetal.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP) em uma primigesta de 35 semanas com 4 cm de dilatação e dinâmica ativa caracteriza um parto prematuro tardio iminente. Nestes casos, a prioridade é garantir o bem-estar fetal e decidir sobre a necessidade de intervenções como a corticoterapia antenatal (embora o benefício após 34 semanas seja discutido, o protocolo ALPS sugere considerar até 36 semanas e 6 dias em alguns contextos). A cardiotocografia intraparto atua como uma ferramenta de triagem para hipóxia. Um traçado Categoria I permite a progressão do parto vaginal com segurança. Traçados Categoria II requerem manobras de ressuscitação intrauterina (decúbito lateral esquerdo, oxigenação materna, hidratação) e avaliação de causas reversíveis. Já a Categoria III é preditiva de acidemia fetal e frequentemente indica a interrupção imediata da gestação pela via mais rápida.

Perguntas Frequentes

Como é classificada a Cardiotocografia (Categorias I, II e III)?

A classificação baseia-se em critérios do ACOG/NICHD. A Categoria I (Normal) exige: FC basal 110-160 bpm, variabilidade moderada (6-25 bpm), ausência de desacelerações tardias ou variáveis, e presença ou ausência de acelerações. A Categoria III (Anormal) inclui: ausência de variabilidade basal MAIS desacelerações tardias recorrentes, variáveis recorrentes, bradicardia ou padrão sinusoidal. A Categoria II (Indeterminada) engloba todos os traçados que não se encaixam na I ou III, como taquicardia fetal, variabilidade mínima ou desacelerações variáveis acompanhadas de variabilidade moderada, exigindo vigilância contínua e reavaliação.

Qual a conduta para GBS negativo em parto prematuro?

Se a paciente possui uma pesquisa de Estreptococo do Grupo B (GBS) negativa realizada nas últimas 5 semanas, a profilaxia antibiótica intraparto não está indicada, mesmo em situações de prematuridade. A triagem universal entre 35 e 37 semanas visa identificar portadoras para tratamento profilático durante o parto, reduzindo o risco de sepse neonatal precoce. No entanto, se o status fosse desconhecido em um parto prematuro (<37 semanas), a profilaxia seria iniciada empiricamente com Penicilina Cristalina ou Ampicilina até que o resultado fosse conhecido ou o parto ocorresse.

Quais os parâmetros avaliados na cardiotocografia?

Os cinco parâmetros fundamentais são: 1. Linha de base (frequência cardíaca média em 10 minutos); 2. Variabilidade (flutuações da linha de base, sendo a moderada sinal de sistema nervoso autônomo íntegro); 3. Acelerações (aumentos abruptos da FC, sinal de reatividade); 4. Desacelerações (quedas da FC, classificadas em precoces/DIP I, tardias/DIP II ou variáveis/DIP III conforme a relação com a contração); 5. Dinâmica uterina (número de contrações em 10 minutos). A interpretação conjunta desses dados permite inferir o status de oxigenação fetal durante o trabalho de parto.

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