Cardiotocografia: Identificando DIPs Variáveis e Compressão Funicular

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Gestante de 39 semanas é admitida com contrações uterinas. Durante a evolução do trabalho de parto, foi realizada a cardiotocografia representada na figura abaixo. De acordo com estes dados, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O padrão cardiotocográfico é compatível com insuficiência placentária decorrente de hipertensão arterial.
  2. B) O padrão cardiotocográfico é compatível com DIPs precoces, decorrentes da compressão cefálica no final do periodo expulsivo.
  3. C) O padrão cardiotocográfico é compatível com a estase sanguínea no espaço interviloso que ocorre durante as contrações uterinas.
  4. D) O padrão cardiotocográfico demonstra a ocorrência de compressão funicular e pode ser decorrente de prolapso de cordão.

Pérola Clínica

DIPs variáveis na CTG → compressão funicular → avaliar prolapso de cordão ou oligodramnia.

Resumo-Chave

Desacelerações variáveis (DIPs variáveis) na cardiotocografia são caracterizadas por quedas abruptas e irregulares da frequência cardíaca fetal, sem relação consistente com as contrações uterinas. Elas são o padrão mais comum de desaceleração e indicam compressão do cordão umbilical, que pode ser causada por prolapso de cordão, oligodramnia ou posicionamento fetal.

Contexto Educacional

A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial para o monitoramento do bem-estar fetal durante o trabalho de parto, avaliando a frequência cardíaca fetal (FCF) e a atividade uterina. A interpretação correta dos padrões da CTG é crucial para identificar sinais de sofrimento fetal e intervir precocemente, prevenindo desfechos adversos. As desacelerações variáveis (DIPs variáveis) são o padrão de desaceleração mais comum e refletem a compressão do cordão umbilical. Essa compressão leva à oclusão da veia umbilical (reduzindo o retorno venoso e a FCF) e, se prolongada, da artéria umbilical (aumentando a resistência vascular periférica e ativando barorreceptores, que também reduzem a FCF). O manejo das DIPs variáveis depende da sua frequência, profundidade e duração, bem como da variabilidade da FCF basal. Medidas como mudança de decúbito materno, hidratação e oxigenoterapia podem ser tentadas. Em casos de DIPs variáveis graves ou persistentes, especialmente se associadas a outros sinais de sofrimento fetal, a amnioinfusão ou o parto imediato podem ser indicados para evitar a acidose fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são as características das desacelerações variáveis na CTG?

As desacelerações variáveis são quedas abruptas (início ao nadir < 30s) e irregulares da FCF, com duração e profundidade variáveis, sem relação consistente com o pico da contração uterina. Podem ter ombros pré e pós-desaceleração.

Quais são as causas mais comuns de compressão funicular?

As causas mais comuns de compressão funicular incluem prolapso de cordão, oligodramnia (volume reduzido de líquido amniótico), cordão nucal (enrolado no pescoço do feto) ou compressão do cordão entre o feto e a parede uterina.

Qual a conduta inicial diante de DIPs variáveis persistentes e graves?

A conduta inicial inclui mudança de decúbito materno, hidratação materna, oxigenoterapia. Se não houver melhora, pode-se considerar amnioinfusão. Em casos de DIPs variáveis graves ou persistentes com outros sinais de sofrimento fetal, o parto imediato pode ser indicado.

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