Cardiotocografia no Parto: Desacelerações Variáveis e Conduta

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 37a, G4P3C0, sem comorbidades, com idade gestacional de 40 semanas e 4 dias, internada em Centro Obstétrico, em fase ativa de trabalho de parto (colo fino, 9cm, cefálico em plano -1 de De Lee, bolsa rota com líquido com mecônio fluido), apresenta a seguinte cardiotocografia: A INTERPRETAÇÃO DA CARDIOTOCOGRAFIA E A CONDUTA OBSTÉTRICA NESTE MOMENTO SÃO:

Alternativas

  1. A) Variabilidade normal com desacelerações precoces; manter assistência ao parto e cardiotocografia contínua.
  2. B) Ausência de variabilidade com desacelerações tardias; indicar cesárea imediata.
  3. C) Variabilidade diminuída com desacelerações variáveis; colocar em posição ginecológica e reduzir o colo uterino para parto vaginal imediato.
  4. D) Variabilidade normal com desacelerações variáveis; corrigir taquissistolia e manter cardiotocografia contínua.

Pérola Clínica

CTG com variabilidade normal e desacelerações variáveis, mas com taquissistolia → corrigir taquissistolia e manter monitoramento.

Resumo-Chave

Desacelerações variáveis com variabilidade normal e mecônio fluido, na presença de taquissistolia, sugerem compressão de cordão. A conduta inicial é corrigir a taquissistolia (se presente) e otimizar o ambiente uterino, mantendo monitoramento contínuo.

Contexto Educacional

A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial para o monitoramento do bem-estar fetal durante o trabalho de parto, avaliando a frequência cardíaca fetal (FCF) e a atividade uterina. A interpretação correta da CTG é crucial para identificar sinais de hipóxia fetal e guiar a conduta obstétrica. Os parâmetros avaliados incluem a linha de base da FCF, variabilidade, acelerações e desacelerações. As desacelerações variáveis são o tipo mais comum de desaceleração intraparto e são frequentemente associadas à compressão do cordão umbilical. Elas são caracterizadas por quedas abruptas e irregulares na FCF. A presença de variabilidade normal da FCF, mesmo com desacelerações variáveis, geralmente indica um feto com boa reserva e capacidade de compensação. A taquissistolia uterina (mais de 5 contrações em 10 minutos, em média, por 30 minutos) pode exacerbar as desacelerações variáveis ao reduzir o intervalo de recuperação entre as contrações, diminuindo a perfusão uteroplacentária. A conduta inicial para desacelerações variáveis, especialmente se associadas à taquissistolia, inclui medidas de reanimação intrauterina como reposicionamento materno, hidratação e, se necessário, tocolíticos para reduzir a atividade uterina. O líquido amniótico meconial fluido, por si só, não é um sinal de sofrimento fetal agudo, mas requer monitoramento mais atento.

Perguntas Frequentes

O que significam as desacelerações variáveis na cardiotocografia?

As desacelerações variáveis são quedas abruptas e irregulares na frequência cardíaca fetal, geralmente associadas à compressão do cordão umbilical. Sua gravidade é avaliada pela profundidade, duração e relação com as contrações.

Qual a importância da variabilidade da frequência cardíaca fetal na CTG?

A variabilidade é o indicador mais importante do bem-estar fetal. Uma variabilidade normal (6-25 bpm) sugere um feto bem oxigenado e com sistema nervoso central íntegro, mesmo na presença de desacelerações.

Qual a conduta inicial diante de desacelerações variáveis com taquissistolia uterina?

A conduta inicial inclui reposicionamento materno (decúbito lateral), hidratação venosa e, se a taquissistolia persistir ou for grave, uso de tocolíticos (ex: terbutalina) para reduzir a frequência das contrações e melhorar a perfusão uteroplacentária.

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