Cardiotocografia no Parto: Interpretação e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma secundigesta com parto vaginal anterior e sem comorbidades chega à maternidade em trabalho de parto. Dez minutos após a meia-noite, avaliado o processo de trabalho de parto, constata-se evolução normal. Realizado exame físico na paciente, verifica-se uma apresentação em plano positivo (+2), colo 100% esvaecido, com 8 centímetros de dilatação, bolsa rota. À ausculta de batimentos cardíacos fetais, o médico assistente nota uma queda nos batimentos e, por isso, opta por realizar uma cardiotocografia, cujo resultado é mostrado a seguir.Diante do traçado cardiotocográfico, assinale a opção correta. 

Alternativas

  1. A) A linha de base está entre 100 e 150 bpm, a variabilidade é aumentada, as desacelerações são do tipo precoce, portanto, a conduta deve ser reanimação intrauterina.
  2. B) A linha de base está entre 110 e 160 bpm, a variabilidade é moderada, as desacelerações são do tipo tardio, portanto, a conduta deve ser mudança de decúbito materno e hidratação endovenosa.
  3. C) A linha de base está entre 110 e 160 bpm, a variabilidade é moderada, as desacelerações são do tipo precoce, portanto, a conduta deve ser seguimento do acompanhamento do trabalho de parto e do parto.
  4. D) A linha de base está entre 100 e 150 bpm, a variabilidade é aumentada, as desacelerações são do tipo variável com características desfavoráveis, portanto, a conduta deve ser administração de oxigênio e estímulo sonoro. 

Pérola Clínica

Cardiotocografia com linha de base 110-160 bpm, variabilidade moderada e desacelerações precoces → padrão tranquilizador = seguir trabalho de parto.

Resumo-Chave

A interpretação da cardiotocografia é crucial no trabalho de parto. Um traçado considerado tranquilizador apresenta linha de base entre 110-160 bpm, variabilidade moderada (6-25 bpm) e ausência de desacelerações tardias ou variáveis complicadas. Desacelerações precoces são fisiológicas, ocorrendo com as contrações e refletindo compressão cefálica, não indicando sofrimento fetal.

Contexto Educacional

A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial para a monitorização do bem-estar fetal durante o trabalho de parto. Ela avalia a frequência cardíaca fetal (FCF) em relação às contrações uterinas, fornecendo informações sobre a oxigenação e o estado hemodinâmico do feto. A interpretação correta da CTG é fundamental para identificar sinais de sofrimento fetal e guiar a conduta obstétrica. Os principais parâmetros avaliados na CTG incluem a linha de base da FCF (normalmente entre 110-160 bpm), a variabilidade (oscilações da FCF, sendo moderada entre 6-25 bpm o ideal), a presença de acelerações (aumentos transitórios da FCF) e a presença e tipo de desacelerações (quedas transitórias da FCF). As desacelerações são classificadas em precoces, tardias e variáveis. As desacelerações precoces são simétricas, iniciam e terminam com a contração, e são consideradas benignas, refletindo a compressão da cabeça fetal. As desacelerações tardias são preocupantes, pois iniciam após o pico da contração e indicam insuficiência uteroplacentária e hipóxia fetal. As desacelerações variáveis são irregulares em forma e tempo, e podem ser benignas ou preocupantes dependendo de suas características (duração, profundidade, recuperação). Um traçado com linha de base normal, variabilidade moderada e apenas desacelerações precoces é tranquilizador e permite o seguimento do trabalho de parto.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar desacelerações precoces de tardias na CTG?

Desacelerações precoces iniciam e terminam simultaneamente com a contração uterina, com seu ponto mais baixo coincidindo com o pico da contração. Desacelerações tardias iniciam após o pico da contração e retornam à linha de base após o término da contração, indicando hipóxia.

Qual a importância da variabilidade da FCF na cardiotocografia?

A variabilidade da FCF reflete a interação entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático e é um indicador crucial do bem-estar fetal. Uma variabilidade moderada (6-25 bpm) é um sinal tranquilizador, enquanto a variabilidade diminuída pode indicar hipóxia ou acidose fetal.

Quando a reanimação intrauterina é indicada no trabalho de parto?

A reanimação intrauterina é indicada em casos de padrões de CTG não tranquilizadores, como desacelerações tardias ou variáveis complicadas, taquicardia fetal persistente ou variabilidade diminuída, visando melhorar a oxigenação fetal antes de uma possível intervenção mais invasiva.

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