Cardiotocografia Suspeita: Manejo e Manobras de Ressuscitação

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

P.M.N., 30 anos, GIII PII 2N A0, IG 39 semanas, deu entrada no PSGO em trabalho de parto franco, com TV: 6 cm, médio, medianizado, bolsa íntegra. Submetida à cardiotocografia, cujo resultado encontra-se ilustrado a seguir. Assinale a alternativa que contém a classificação correta da cardiotocografia e conduta adequada. 

Alternativas

  1. A) Padrão suspeito; manobras de ressuscitação intrauterina e repetir CTB.
  2. B) Normal; condução do trabalho de parto.
  3. C) Alterada; acionamento de código cesárea.
  4. D) Normal; amniotomia artificial e introdução de ocitocina para condução do trabalho de parto.

Pérola Clínica

CTG Categoria II (suspeita) → Manobras de ressuscitação intrauterina + reavaliação. Não é indicação imediata de cesárea.

Resumo-Chave

Um padrão suspeito (Categoria II) na cardiotocografia indica a necessidade de intervenção para melhorar a oxigenação fetal, como mudança de decúbito materno, hidratação e oxigenoterapia. A reavaliação após essas manobras é fundamental antes de escalar para condutas mais invasivas, como a cesárea, que é reservada para padrões alterados (Categoria III).

Contexto Educacional

A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial na monitorização fetal intraparto, avaliando a frequência cardíaca fetal (FCF) em relação às contrações uterinas. Sua classificação em categorias I (normal), II (indeterminada/suspeita) e III (anormal/alterada) guia a tomada de decisão clínica. Um padrão Categoria I indica bem-estar fetal, enquanto um Categoria III exige intervenção imediata, geralmente cesariana. O padrão Categoria II, ou suspeito, é o mais desafiador, pois não é claramente benigno nem patológico. Ele exige uma avaliação mais aprofundada e a implementação de manobras de ressuscitação intrauterina para tentar otimizar a oxigenação fetal. Essas manobras incluem a mudança de decúbito materno (para o lado esquerdo, para otimizar o fluxo sanguíneo uteroplacentário), administração de oxigênio suplementar à mãe, hidratação venosa e, se houver taquissistolia, a redução ou interrupção da ocitocina. Após a realização dessas manobras, a CTG deve ser repetida para reavaliar o padrão fetal. Somente se o padrão persistir como Categoria II ou evoluir para Categoria III, outras condutas mais invasivas, como amniotomia para avaliação do líquido amniótico ou preparo para parto cesáreo, devem ser consideradas. A compreensão e aplicação corretas dessas diretrizes são cruciais para a segurança materno-fetal durante o trabalho de parto.

Perguntas Frequentes

Como é classificada a cardiotocografia fetal?

A cardiotocografia é classificada em três categorias: Categoria I (normal), Categoria II (indeterminada ou suspeita) e Categoria III (anormal ou alterada). Essa classificação orienta a conduta clínica e a necessidade de intervenção.

Quais são as características de um padrão suspeito (Categoria II) na CTG?

Um padrão suspeito (Categoria II) apresenta achados indeterminados que não são Categoria I nem Categoria III. Pode incluir taquicardia ou bradicardia fetal, variabilidade mínima ou ausente sem desacelerações recorrentes, desacelerações variáveis ou tardias intermitentes, ou desacelerações prolongadas.

Quais manobras de ressuscitação intrauterina podem ser realizadas?

As manobras de ressuscitação intrauterina incluem mudança de decúbito materno (geralmente para o lado esquerdo), administração de oxigênio suplementar à mãe, hidratação venosa (bolus de soro fisiológico) e, se houver hiperestimulação uterina, a redução ou interrupção da ocitocina.

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