UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Durante o trabalho de parto de uma tercípara, a termo, situação longitudinal, apresentação cefálica, dorso anterior, já no final do período de dilatação, com dilatação do colo = 7cm, altura 0 de De Lee, 4 contrações/10 minutos com duração de 40 segundos e com variedade de posição occipto-esquerda posterior, a equipe médica resolveu realizar uma cardiotocografia. Resultado: linha de base = 95bpm; variabilidade reduzida e desacelerações repetitivas tardias por > 30 minutos. Pode-se afirmar que esse resultado da cardiotocografia configura uma categoria:
Cardiotoco Categoria III (anormal) = Variabilidade ausente + desacelerações tardias/variáveis recorrentes ou bradicardia.
A Categoria III na cardiotocografia indica um traçado anormal, fortemente associado à hipoxemia e acidemia fetal. A combinação de variabilidade reduzida (disfunção do SNC fetal) com desacelerações tardias (insuficiência uteroplacentária) exige intervenção imediata.
A cardiotocografia (CTG) é um método de vigilância do bem-estar fetal durante o trabalho de parto, que avalia a frequência cardíaca fetal (FCF) e sua relação com as contrações uterinas. Os traçados são classificados em três categorias (I, II e III) para padronizar a interpretação e a conduta. A Categoria I é normal e tranquilizadora, enquanto a Categoria II é indeterminada e requer vigilância contínua. A Categoria III representa um traçado anormal, fortemente preditivo de um estado fetal não tranquilizador, como hipoxemia e acidose metabólica. Os critérios para esta categoria são inequívocos e incluem um padrão sinusoidal ou a ausência de variabilidade da FCF associada a bradicardia sustentada, desacelerações tardias recorrentes ou desacelerações variáveis recorrentes. A variabilidade reduzida ou ausente é um sinal ominoso, pois reflete a disfunção do sistema nervoso autônomo fetal e a perda de mecanismos compensatórios. A identificação de um traçado Categoria III é uma emergência obstétrica. A conduta deve ser imediata, iniciando com medidas de reanimação intrauterina (ex: lateralização da gestante, suspensão de ocitocina, oxigênio suplementar) para tentar corrigir a causa subjacente. Se o padrão persistir, a resolução da gestação pela via mais rápida (geralmente cesárea de emergência) é mandatória para evitar danos neurológicos ou óbito fetal.
A Categoria III é definida pela presença de variabilidade ausente da linha de base associada a qualquer um dos seguintes: desacelerações tardias recorrentes, desacelerações variáveis recorrentes ou bradicardia (<110 bpm por >10 min). Um padrão sinusoidal também classifica o traçado como Categoria III.
A conduta visa a resolução rápida do parto. Medidas de reanimação intrauterina (mudança de decúbito materno, oxigenoterapia, suspensão de ocitocina) devem ser iniciadas imediatamente enquanto se prepara para um parto operatório de emergência (cesárea ou fórceps, se aplicável).
Desacelerações tardias são graduais, simétricas e seu nadir ocorre após o pico da contração, indicando insuficiência uteroplacentária. Desacelerações variáveis são abruptas na queda e no retorno (<30s), com formato em 'V' ou 'U', e geralmente indicam compressão do cordão umbilical.
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