CTG Categoria 3: Reconhecimento e Conduta de Emergência

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher tercigesta, com 1 parto normal e 1 aborto, está internada na enfermaria por diabetes mellitus gestacional descompensada, com necessidade de introdução de insulina, com 36 semanas e 6 dias. O parto está agendado para o dia seguinte, com 37 semanas. Você é chamado para avaliá-la, pois está com contrações rítmicas há 6 horas. Ao exame físico, a paciente encontra-se em bom estado geral, lúcida e orientada, pressão arterial de 120x80mmHg, frequência cardíaca de 89bpm e saturação periférica de oxigênio de 98% em ar ambiente. O exame ginecológico evidencia toque vaginal com abertura do colo de 4cm, com colo médio medianizado. Batimentos cardíacos fetais presentes, dinâmica uterina com 3 contrações moderadas em 10 minutos. Tônus aumentado. Sangramento em pequena quantidade em região vaginal. Última ultrassonografia obstétrica, realizada há 2 dias, mostra feto cefálico, peso de 3590g (percentil 95), índice de líquido amniótico 20 (VR: 8 - 18) e doppler da artéria umbilical dentro da normalidade. A cardiotocografia realizada agora está disponível a seguir: Qual é o laudo da cardiotocografia e qual é a conduta a ser tomada neste momento?

Alternativas

  1. A) Categoria 2 ou suspeita. Parto cesáreo de urgência.
  2. B) Categoria 2 ou suspeita. Medida de ressuscitação intra-útero e parto normal.
  3. C) Categoria 3 ou patológica. Assistência ao trabalho de parto normal.
  4. D) Categoria 3 ou patológica. Parto cesáreo de emergência.

Pérola Clínica

CTG Categoria 3 (patológica) + sangramento + tônus ↑ + DMG/macrossomia = sofrimento fetal/DPP → Cesárea de emergência.

Resumo-Chave

Uma cardiotocografia Categoria 3 indica um padrão fetal patológico, como ausência de variabilidade, desacelerações tardias ou bradicardia, que exige intervenção imediata. O contexto de sangramento vaginal, tônus uterino aumentado, DMG descompensada e macrossomia fetal aumenta a suspeita de descolamento prematuro de placenta, uma emergência obstétrica que requer parto cesáreo imediato.

Contexto Educacional

A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial na avaliação do bem-estar fetal durante a gestação e o trabalho de parto. A classificação da CTG em categorias (1, 2 e 3) auxilia na tomada de decisão clínica. Uma CTG Categoria 3, ou patológica, indica um alto risco de hipóxia fetal e exige intervenção imediata para prevenir danos neurológicos ou óbito fetal. Os critérios para CTG Categoria 3 incluem a ausência de variabilidade da linha de base fetal, acompanhada de bradicardia fetal recorrente, desacelerações tardias recorrentes ou um padrão sinusoidal. O cenário clínico da paciente, com diabetes mellitus gestacional descompensada, macrossomia fetal, polidramnio, sangramento vaginal e tônus uterino aumentado, é altamente sugestivo de uma emergência obstétrica, como o descolamento prematuro de placenta (DPP). O DPP é uma condição grave onde a placenta se separa da parede uterina antes do parto, comprometendo a oxigenação fetal e podendo causar hemorragia materna. Diante de uma CTG Categoria 3 e um quadro clínico de emergência, a conduta mais adequada é o parto cesáreo de emergência. Medidas de ressuscitação intrauterina podem ser tentadas brevemente, mas não devem atrasar o parto quando há evidência clara de sofrimento fetal ou risco materno iminente. O manejo rápido e decisivo é fundamental para otimizar os resultados maternos e neonatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma Cardiotocografia Categoria 3 (patológica)?

Uma CTG Categoria 3 é caracterizada pela ausência de variabilidade da linha de base fetal, juntamente com um dos seguintes: bradicardia fetal recorrente, desacelerações tardias recorrentes ou padrão sinusoidal.

Quais são os sinais clínicos de descolamento prematuro de placenta (DPP)?

Os sinais incluem sangramento vaginal, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), contrações uterinas frequentes e, em casos graves, sinais de choque materno e sofrimento fetal.

Por que a diabetes mellitus gestacional e a macrossomia fetal aumentam o risco de complicações no parto?

DMG descompensada e macrossomia aumentam o risco de distocia de ombro, trauma fetal, hemorragia pós-parto e, em alguns casos, podem estar associadas a polidramnio e maior risco de descolamento de placenta ou sofrimento fetal.

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